Brasília — 4 de agosto de 2025 — Ao decretar a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), listou provas diretas do descumprimento de medidas cautelares. A principal delas: a participação remota do ex-presidente em um ato político, com divulgação feita por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Vídeo publicado por Flávio Bolsonaro
Uma das principais provas apontadas por Moraes é um vídeo publicado nas redes sociais por Flávio Bolsonaro, em que o pai aparece se dirigindo aos manifestantes em Copacabana, no Rio de Janeiro, durante ato ocorrido no domingo (3).
“Boa tarde, Copacabana. Boa tarde, meu Brasil. Um abraço a todos. É pela nossa liberdade. Estamos juntos”, diz Bolsonaro na gravação.
O vídeo foi posteriormente apagado por Flávio, o que, segundo Moraes, configura tentativa deliberada de ocultar a transgressão:
“O flagrante desrespeito às medidas cautelares foi tão óbvio que o próprio filho do réu […] decidiu remover a postagem com a finalidade de omitir a transgressão legal”, escreveu o ministro.
Chamada de vídeo com Nikolas Ferreira
Outro episódio citado foi a ligação por vídeo entre Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), exibida publicamente durante manifestação em Belo Horizonte.
O parlamentar mostrou o telefone à multidão com Bolsonaro ao vivo, demonstrando, segundo Moraes, uma tentativa de manter influência política direta, apesar da proibição de uso de redes ou comunicação com outros envolvidos nos inquéritos.
Violações reiteradas
A decisão lembra que Bolsonaro está proibido de usar redes sociais direta ou indiretamente, e que essa restrição foi intencionalmente burlada com o auxílio de familiares e aliados. Moraes avaliou que a conduta foi “contumaz e dissimulada”, e que não restam dúvidas sobre a reincidência do réu.
Essas violações, combinadas à atuação contínua para coagir o Judiciário e obstruir investigações, motivaram a substituição das cautelares anteriores por prisão domiciliar com restrições mais severas, incluindo:
- uso de tornozeleira eletrônica;
- proibição de celulares no local;
- visitas restritas a familiares e advogados, com autorização prévia do STF;
- veto à comunicação com outros investigados ou autoridades estrangeiras.

