Brasília, 4 de agosto de 2025 — A decisão que impôs prisão domiciliar a Jair Bolsonaro (PL) foi motivada por uma série de violações de medidas cautelares e por atos que, segundo o ministro Alexandre de Moraes, representam tentativa de obstrução das investigações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF).
O despacho foi proferido no âmbito do inquérito que investiga a tentativa de golpe após as eleições de 2022, e expõe o entendimento da Corte de que o ex-presidente continua atuando de forma dissimulada, mesmo após restrições impostas anteriormente.
Os principais fundamentos da decisão de Alexandre de Moraes
Na decisão, Moraes lista condutas atribuídas a Bolsonaro que, no entendimento do STF, configuram violação direta ou indireta de ordens judiciais anteriores. Abaixo, os principais pontos destacados no despacho:
- Reiteração de condutas ilícitas: Bolsonaro teria descumprido deliberadamente medidas cautelares pela segunda vez, justificando a adoção de medida mais severa.
- Produção de conteúdo para terceiros: O ex-presidente preparou material pré-fabricado — como vídeos, áudios e textos — para serem divulgados por aliados nas redes sociais, mesmo estando proibido de fazê-lo.
- Chamada de vídeo com investigado: A decisão cita uma ligação realizada por Bolsonaro com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) como mais uma evidência de que o réu manteve contato vedado com outros alvos do inquérito.
- Ocultação de provas: O ministro também aponta que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, apagou uma publicação considerada lesiva, numa tentativa de encobrir o descumprimento das ordens judiciais.
- Dissimulação como estratégia: Para Moraes, Bolsonaro vem adotando uma “conduta ilícita dissimulada”, mantendo influência política mesmo à margem das restrições.
Em trecho enfático, o ministro afirma:
“A Justiça é cega, mas não é tola. Não permitirá que um réu a faça de tola, achando que ficará impune por ter poder político e econômico.”
Restrições impostas a Bolsonaro
Com base nas infrações apontadas, Moraes determinou que o ex-presidente cumpra prisão domiciliar em seu endereço oficial, sob as seguintes condições:
- Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica
- Proibição de visitas, exceto de familiares próximos e advogados regularmente constituídos
- Recolhimento imediato de todos os celulares presentes na residência
- Proibição de uso de aparelhos eletrônicos, gravações ou qualquer forma de comunicação com embaixadores ou outros investigados
O ministro ainda advertiu que eventual nova violação dessas condições poderá resultar na decretação imediata da prisão preventiva.
Entenda:
Bolsonaro está sendo censurado?
Não. O ex-presidente foi proibido judicialmente de usar redes sociais e de influenciar o debate digital como condição legal, após evidências de participação em ataques institucionais. O uso indireto de contas de terceiros representa violação deliberada.
Há provas concretas da interferência de Bolsonaro?
Sim. A decisão aponta que ele preparou conteúdos para veiculação pública, participou de chamadas com outros investigados e orientou ações digitais por meio da própria família.
A medida é proporcional?
Segundo Moraes, a prisão domiciliar é necessária para interromper uma cadeia de infrações em curso, diante do desrespeito contínuo às decisões do STF. Trata-se de agravamento legítimo dentro do processo legal.
Qual o próximo passo?
Bolsonaro permanece em casa sob monitoramento. A Polícia Federal acompanha o cumprimento da decisão. A defesa poderá recorrer, mas precisa demonstrar que as infrações não ocorreram, o que, até o momento, não foi contestado com sucesso.

