Brasília, 5 de agosto de 2025 — Deputados federais do PL e de partidos aliados ao bolsonarismo transformaram o plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, em um palco de protesto performático nesta terça-feira. A manifestação buscava criticar a prisão domiciliar imposta ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Com esparadrapos colados na boca, os parlamentares alegaram estar sob censura. O deputado Hélio Lopes (PL-RJ), conhecido como Hélio Negão, encenou uma sequência de mímicas para se comunicar com colegas de bancada, provocando reações tanto nas galerias quanto nas redes sociais.
A cena gerou críticas pela teatralidade e pelo uso de recursos públicos em atos que não se relacionam à atividade legislativa. Durante a encenação, deputados da oposição também anunciaram tentativa de obstrução das votações da Casa e defenderam o impeachment do ministro Moraes.
Bolsonarismo investe em atos performáticos e ignora pautas urgentes
Enquanto o Brasil enfrenta discussões críticas como a reforma tributária, os impactos da crise climática e a escalada da emergência habitacional, parte da bancada bolsonarista direciona seus esforços a manifestações simbólicas que pouco impactam a vida do cidadão comum.
A ação no plenário teve como pano de fundo a decisão do STF, divulgada na segunda-feira (4), que determinou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, após indícios de que ele violou medidas cautelares. Segundo Moraes, o ex-presidente teria utilizado eventos públicos e redes sociais para incitar ataques à Corte e desrespeitar ordens judiciais.
Mesmo com a gravidade do caso, o protesto dos aliados reduziu o debate à caricatura. “Eu não entendo muito de linguagem de sinais bolsonarista, mas parece que vem acampamento por aí. Só falta o colchão inflável no Salão Verde“, ironizou um assessor parlamentar, sob reserva.
Protesto é criticado por uso indevido de recursos e tempo parlamentar
A mímica de Hélio Negão viralizou nas redes sociais, mas também reacendeu o debate sobre o uso da estrutura pública para manifestações político-partidárias sem efeito prático.
Com salários, verbas de gabinete e estrutura mantidos pelo contribuinte, os parlamentares envolvidos deixaram de discutir projetos e comissões relevantes para encenar o que muitos classificaram como “espetáculo vazio”.
O líder do PL no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), endossou a mobilização e prometeu trabalhar para pressionar o Congresso a discutir o impeachment de Moraes. Até o momento, nenhuma proposta formal foi apresentada.
O que está em jogo
Por que Bolsonaro foi colocado em prisão domiciliar?
O ministro Alexandre de Moraes apontou que o ex-presidente descumpriu medidas cautelares ao se manifestar publicamente e estimular atos de desobediência judicial. Com isso, determinou sua prisão domiciliar e o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica.
O protesto bolsonarista na Câmara tem efeito jurídico?
Não. A manifestação foi simbólica e não produziu efeito legislativo ou jurídico concreto. Trata-se de uma ação política com objetivos de mobilização e pressão institucional.
Qual o custo dessas manifestações para os cofres públicos?
Embora não haja um valor específico divulgado, os parlamentares envolvidos recebem salários, cotas e recursos logísticos pagos com dinheiro público. A crítica gira em torno do desvio de função e do uso da estrutura estatal para protestos sem resultado prático.
Como a sociedade reagiu ao protesto?
Nas redes sociais, o protesto dividiu opiniões. Críticos apontaram o descolamento da realidade e a ausência de propostas. Aliados, por outro lado, disseram que houve cerceamento de liberdade de expressão.
Há risco de novas ações semelhantes?
Sim. O grupo bolsonarista já sinalizou que deve ampliar os atos performáticos, tanto no Congresso quanto em eventos públicos, como forma de resistência simbólica ao STF.
Encenação reforça distanciamento da oposição em relação às urgências do país
A manifestação com esparadrapo e mímicas é mais um episódio de desvio da função legislativa e de desrespeito ao espaço público, segundo especialistas ouvidos pela reportagem. Em vez de debater propostas, a oposição insiste em transformar o Parlamento em palco ideológico.
Enquanto o país enfrenta crises econômicas e sociais complexas, parte dos deputados opta por encenações com dinheiro público, sem apresentar alternativas reais aos temas que afetam diretamente a população.

