Brasília, 6 de agosto de 2025 — A deputada Julia Zanatta (PL-SC) retornou do período de licença-maternidade nesta quarta-feira e participou do ato de obstrução promovido por parlamentares da oposição na Câmara dos Deputados, em resposta à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Com a filha de apenas quatro meses no colo, Zanatta ocupou a cadeira da Presidência da Casa e publicou um vídeo em tom de ironia e exaltação ao protesto.
“Estamos aqui, não vamos sair. Obstruímos tudo hoje na Câmara. A oposição está de parabéns”, declarou a parlamentar, exibindo a bebê sentada na cadeira usada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
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Bebê como símbolo da obstrução política
A cena da deputada bolsonarista com a filha no colo viralizou nas redes sociais e gerou reações críticas. No vídeo publicado em sua conta no Instagram, Julia Zanatta sugere, em tom de deboche, uma pauta fictícia para o Congresso, caso fosse decidida por ela e pela filha Olívia.
“Ia só defesa da vida, armamento civil, anistia, prisão pra bandido. Isso aí”, afirmou a deputada, que integra a base mais radicalizada do bolsonarismo no Congresso.
A ocupação da Mesa Diretora da Câmara ocorreu em meio ao protesto da oposição contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro por descumprimento de medidas cautelares e tentativa de intimidação ao Judiciário.
Mobilização bolsonarista tensiona Congresso
Em publicação anterior, Zanatta escreveu: “Olívia vai conhecer Brasília em meio a um turbilhão de revolta e esperança”. Para a parlamentar, o ato representou um “basta” aos “desmandos” do ministro Alexandre de Moraes, a quem ela acusa de agir de forma autoritária.
A mobilização desta semana — com ocupações simultâneas nas mesas das duas Casas do Congresso — tem como objetivo inviabilizar votações e pressionar o STF a reverter a decisão sobre Bolsonaro.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, classificou a ação como tentativa de obstruir o funcionamento do Legislativo e alertou que parlamentares que impedirem o andamento da sessão poderão ser suspensos. A Polícia Legislativa está autorizada a retirar quem se recusar a desocupar o plenário.
Uso de crianças em protestos gera críticas
A presença de uma criança em um ato político de obstrução institucional gerou reações negativas entre juristas e parlamentares da oposição ao bolsonarismo. Especialistas apontam o risco da instrumentalização de menores em disputas políticas e o impacto simbólico da banalização do espaço legislativo.
O gesto de Zanatta, ao colocar a filha de quatro meses na cadeira da Presidência da Câmara, foi interpretado por críticos como uma tentativa deliberada de espetacularização da política e de reforço de uma retórica que mistura religiosidade, família e populismo conservador.

