Desorientação

Valdemar chama motim na Câmara de legítimo

Presidente do PL defende ação de deputados e tenta blindar envolvidos em ato contra democracia
O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Brasília – 9 de agosto de 2025 – O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, classificou como “pacífica e legítima” a ocupação do plenário da Câmara dos Deputados por parlamentares bolsonaristas. A declaração foi feita em publicação na rede X neste sábado, em meio à apuração conduzida pela Corregedoria Parlamentar sobre a ação, que buscou pressionar pela retomada da pauta de anistia a condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro.


Bolsonarismo insiste em reescrever crimes políticos

Em tom de enfrentamento, Valdemar afirmou que a manifestação teve como objetivo “resgatar a votação da pauta da anistia” e “reforçar a autonomia entre os Poderes” — um eufemismo para a tentativa de blindar aliados investigados ou condenados por participação em atos antidemocráticos. O dirigente ainda alegou que o PL “reitera seu compromisso com a democracia”, apesar de defender uma ação que afronta as regras regimentais e o funcionamento normal do Legislativo.


Câmara encaminha denúncias contra deputados radicais

Na sexta-feira (8), a Mesa Diretora da Câmara enviou à Corregedoria Parlamentar representações contra 14 deputados de partidos como PL, PP e Novo. O corregedor Diego Coronel (PSD-BA) deverá avaliar possíveis punições antes do envio ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Entre os citados estão Bia Kicis (PL-DF), Carlos Jordy (PL-RJ), Nikolas Ferreira (PL-MG) e Marco Feliciano (PL-SP).


Blindagem política em rede social

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também reagiu no X, acusando as investigações de tentar calar “milhões de brasileiros” e classificando a apuração como um ataque à “oposição séria” — discurso alinhado à retórica bolsonarista de vitimização. Em nota oficial, Valdemar afirmou que os parlamentares “agiram movidos pela responsabilidade de representar milhões de brasileiros”, ignorando que a ocupação interrompeu o funcionamento regular da Casa e visava interferir no devido processo legal.


A defesa da ocupação da Câmara por lideranças do PL expõe, mais uma vez, a estratégia do bolsonarismo de tensionar as instituições e normalizar ações que atentam contra o Estado Democrático de Direito. A investigação no Conselho de Ética testará até que ponto o Parlamento está disposto a conter práticas que fragilizam a democracia e reforçam a narrativa golpista.

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