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Bolsonaro burlava restrições do STF de forma intencional, diz PF

Polícia Federal conclui que ex-presidente usava aliados e familiares para violar ordens de Alexandre de Moraes
Jair Bolsonaro - © Antonio Cruz/Agência Brasil
Jair Bolsonaro - © Antonio Cruz/Agência Brasil
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

A Polícia Federal (PF) concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desrespeitava de forma consciente as restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A análise dos dois celulares apreendidos no último mês revelou provas de que Bolsonaro recorria a familiares, aliados e perfis alternativos para manter sua influência política, mesmo após determinação judicial.

PF aponta desobediência deliberada

O primeiro aparelho foi recolhido em 21 de julho, quando Moraes determinou o uso de tornozeleira eletrônica.

Já o segundo celular foi apreendido em 4 de agosto, durante nova operação autorizada pelo STF, após indícios de descumprimento das medidas cautelares.

Segundo relatório da PF, Bolsonaro tinha “plena ciência” dos limites definidos e atuava de forma dolosa para burlar as proibições.

A investigação aponta envio de mensagens em vídeo a apoiadores, usadas em manifestações como a ocorrida na orla de Copacabana e publicadas no Instagram pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), posteriormente apagadas.

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Moraes endurece medidas

Diante das violações, Moraes decretou a prisão domiciliar do ex-presidente em 4 de agosto.

À época, classificou a conduta como “completo desrespeito” às ordens do STF e ampliou as restrições, que já incluíam toque de recolher, tornozeleira eletrônica e proibição de contato com outros investigados.

Para o ministro, as manobras de Bolsonaro buscavam instigar apoiadores contra as instituições democráticas.

As medidas mais severas foram, segundo Moraes, necessárias para conter a escalada de afrontas à Justiça.

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Rede de aliados como instrumento político

A PF detalhou que a estratégia de Bolsonaro incluía o uso sistemático de terceiros para manter ativa sua presença política.

Além dos filhos, nomes próximos e operadores digitais serviam de canais para mensagens veladas ou explícitas contra o STF.

Essa prática, avaliam investigadores, reforça o papel do ex-presidente na tentativa de mobilizar bases políticas mesmo sob restrições.

Os relatórios foram encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR), que prepara manifestação ao STF.

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Julgamento decisivo em setembro

O episódio amplia a pressão sobre Bolsonaro às vésperas do julgamento do “núcleo 1” da tentativa de golpe, marcado pelo ministro Cristiano Zanin para setembro.

A sessão avaliará provas contra oito réus, incluindo o ex-presidente, por participação no planejamento e execução de atos golpistas.

As sessões ocorrerão em 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro, manhã e tarde. A defesa de Bolsonaro insiste em negar irregularidades, mas enfrenta o peso das provas reunidas pela PF e pela PGR.

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