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Bolsonaro burlava restrições do STF de forma intencional, diz PF

Polícia Federal conclui que ex-presidente usava aliados e familiares para violar ordens de Alexandre de Moraes

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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Jair Bolsonaro - © Antonio Cruz/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desrespeitava de forma consciente as restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A análise dos dois celulares apreendidos no último mês revelou provas de que Bolsonaro recorria a familiares, aliados e perfis alternativos para manter sua influência política, mesmo após determinação judicial.

Já o segundo celular foi apreendido em 4 de agosto, durante nova operação autorizada pelo STF, após indícios de descumprimento das medidas cautelares.

Segundo relatório da PF, Bolsonaro tinha “plena ciência” dos limites definidos e atuava de forma dolosa para burlar as proibições.

A investigação aponta envio de mensagens em vídeo a apoiadores, usadas em manifestações como a ocorrida na orla de Copacabana e publicadas no Instagram pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), posteriormente apagadas.

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Moraes endurece medidas

Diante das violações, Moraes decretou a prisão domiciliar do ex-presidente em 4 de agosto.

À época, classificou a conduta como “completo desrespeito” às ordens do STF e ampliou as restrições, que já incluíam toque de recolher, tornozeleira eletrônica e proibição de contato com outros investigados.

Para o ministro, as manobras de Bolsonaro buscavam instigar apoiadores contra as instituições democráticas.

As medidas mais severas foram, segundo Moraes, necessárias para conter a escalada de afrontas à Justiça.

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Rede de aliados como instrumento político

A PF detalhou que a estratégia de Bolsonaro incluía o uso sistemático de terceiros para manter ativa sua presença política.

Além dos filhos, nomes próximos e operadores digitais serviam de canais para mensagens veladas ou explícitas contra o STF.

Essa prática, avaliam investigadores, reforça o papel do ex-presidente na tentativa de mobilizar bases políticas mesmo sob restrições.

Os relatórios foram encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR), que prepara manifestação ao STF.

Mais em Rio de Janeiro

Julgamento decisivo em setembro

O episódio amplia a pressão sobre Bolsonaro às vésperas do julgamento do “núcleo 1” da tentativa de golpe, marcado pelo ministro Cristiano Zanin para setembro.

A sessão avaliará provas contra oito réus, incluindo o ex-presidente, por participação no planejamento e execução de atos golpistas.

As sessões ocorrerão em 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro, manhã e tarde. A defesa de Bolsonaro insiste em negar irregularidades, mas enfrenta o peso das provas reunidas pela PF e pela PGR.

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JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.