Traição a bordo?

Deputados cobram explicações sobre avião “secreto” dos EUA que pousou em Porto Alegre

Talíria Petrone e Túlio Gadêlha exigem transparência do governo sobre a missão de aeronave militar americana usada em operações de inteligência
Talíria Petrone e Túlio Gadêlha querem que governo explique pouso de avião da Força Aérea dos EUA em Porto Alegre, usado em missões sigilosas.
Wikimedia Commons
Por Evaristo De Paula
Evaristo De Paula Colaborador
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Um pouso suspeito da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) em Porto Alegre gerou forte reação no Congresso.

Deputados federais protocolaram requerimento pedindo que os ministérios da Defesa, das Relações Exteriores e de Portos e Aeroportos expliquem a presença de um Boeing 757 C-32B, aeronave notória por operações secretas de transporte de agentes de inteligência.


Avião usado em missões sigilosas

O C-32B “Gatekeeper” é operado pelo 150º Esquadrão de Operações Especiais da USAF e utilizado para deslocar equipes de elite do Departamento de Estado.

Diferente das aeronaves diplomáticas tradicionais, não exibe marcações externas e possui equipamentos avançados de comunicação, sensores de inteligência e autonomia para longas missões.

A aeronave chegou a Porto Alegre às 17h13 do dia 19 de agosto, após sair de Nova Jersey, com escalas em Tampa (Flórida) e San Juan (Porto Rico). Às 19h52, seguiu para o Aeroporto de Guarulhos (SP).

Talíria Petrone e Túlio Gadêlha querem que governo explique pouso de avião da Força Aérea dos EUA em Porto Alegre, usado em missões sigilosas.
Rota da aeronave dos EUA. Foto: Reprodução/Flight Radar

Pressão por transparência

O requerimento assinado por Talíria Petrone (PSOL-RJ) e Túlio Gadêlha (Rede-PE) pede que o governo brasileiro detalhe a missão. Entre as perguntas:

  • Quem eram os passageiros e quantos ocupavam a aeronave;
  • Quais vistos foram concedidos;
  • Se houve aviso prévio às autoridades brasileiras;
  • Quais inspeções foram feitas pela Receita Federal, Polícia Federal e Abin.

Apesar de os EUA alegarem que o voo transportava apenas funcionários do consulado, os parlamentares questionam o risco de violação da soberania nacional.


Soberania em debate

“Considerando o histórico de uso deste tipo de aeronave em operações de inteligência, quais medidas o Itamaraty adotou para garantir que não houve violação da legislação brasileira?”, questiona o documento.

O caso levanta debate sobre a forma como o Brasil lida com missões militares estrangeiras em seu território. Para especialistas, a ausência de transparência pode indicar subordinação política diante dos EUA.

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