Rio de Janeiro – 21 de agosto de 2025 – A Polícia Federal identificou a suplente de vereadora Vanessa da Silva Oliveira (PL-RJ), conhecida como “Negona do Bolsonaro”, como uma das pessoas usadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para contornar restrições judiciais que o proibiam de se comunicar nas redes sociais.
Trajetória política e tentativas de registro de apelido
Vanessa, de 43 anos, é influenciadora digital e militante bolsonarista. Nas eleições de 2024, disputou vaga na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, recebendo 10.416 votos, tornando-se suplente de vereadora.
Durante a campanha, tentou registrar o apelido “Negona do Bolsonaro” nas urnas, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu o uso, classificando-o como de “conteúdo racista e preconceituoso”. Vanessa alegou que o nome seria uma forma de autoafirmação de sua identidade como mulher preta.
Presença nas redes sociais e proximidade com Bolsonaro
Vanessa se apresenta como a “mulher 01 do ex-presidente no Rio de Janeiro”. Ela possui mais de 136 mil seguidores no Instagram e cerca de 100 mil no X (antigo Twitter). Nas redes, publica vídeos exaltando Bolsonaro e aparece em eventos políticos ao lado do ex-presidente, reforçando sua imagem de proximidade com a família Bolsonaro.
Uso de Vanessa para driblar medidas cautelares
Desde julho de 2025, Bolsonaro está proibido de usar redes sociais, direta ou indiretamente. Segundo a PF, ele teria enviado vídeos e mensagens por WhatsApp que foram republicados por Vanessa em suas próprias contas.
Em 3 de agosto, ela publicou um vídeo de Bolsonaro com a legenda:
“Preso em casa, mas em espírito presente em todo o país. Obrigada a todos. É pela nossa liberdade.”
O ato foi interpretado como descumprimento das medidas cautelares, fundamentando o novo indiciamento de Jair e Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Suplente que virou peça-chave na crise
De candidata coadjuvante em 2024, Vanessa se tornou figura central da investigação, funcionando como elo entre Bolsonaro e sua militância digital. Para a PF, ela manteve canais de mobilização política, potencializando a atuação do ex-presidente mesmo sob restrições judiciais.

