Rito

Saiba como deve ser o julgamento de Bolsonaro e sete aliados no STF

Primeira Turma inicia sessões decisivas sobre tentativa de golpe de Estado em 2022
Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux: ministros da 1ª turma do STF responsáveis pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete acusados — Foto: Rosinei Coutinho/STF; Gustavo Moreno/STF; Antonio Augusto/STF; Felipe Sampaio/STF
Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux: ministros da 1ª turma do STF responsáveis pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete acusados — Foto: Rosinei Coutinho/STF; Gustavo Moreno/STF; Antonio Augusto/STF; Felipe Sampaio/STF
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começou nesta terça-feira (2), às 9h, o julgamento da trama golpista que coloca no banco dos réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete de seus principais aliados.

A denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sustenta que Bolsonaro foi o chefe da organização criminosa que tentou impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início de 2023.

Segundo a PGR, o ex-presidente foi o maior beneficiário da conspiração e responde por cinco crimes, cuja soma das penas pode chegar a 43 anos de prisão.

O calendário das sessões do STF

O julgamento terá cinco datas já definidas:

  • 2 de setembro (terça-feira) – 9h às 12h e 14h às 19h
  • 3 de setembro (quarta-feira) – 9h às 12h
  • 9 de setembro (terça-feira) – 9h às 12h e 14h às 19h
  • 10 de setembro (quarta-feira) – 9h às 12h
  • 12 de setembro (sexta-feira) – 9h às 12h e 14h às 19h

A expectativa é que a conclusão ocorra apenas no dia 12, quando será definida a condenação ou absolvição do grupo.

O rito da primeira sessão

A sessão foi aberta pelo presidente da turma, ministro Cristiano Zanin, que apresentou a ação penal contra os oito réus. O relator, ministro Alexandre de Moraes, fez a leitura de seu relatório, com resumo das provas e dos atos processuais.

Em seguida, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, teve até duas horas para defender a condenação. Depois, coube às defesas dos réus se manifestarem, começando pela defesa do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, delator no processo. Cada advogado dispõe de até uma hora para argumentar, seguindo ordem alfabética.

A previsão é que apenas três ou quatro defesas falem nesta terça-feira. O julgamento será retomado na quarta (3).

Quem são os réus da trama golpista

  • Jair Bolsonaro – ex-presidente da República
  • Alexandre Ramagem – deputado federal e ex-diretor da Abin
  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF
  • Augusto Heleno – ex-ministro do GSI
  • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa
  • Walter Braga Netto – ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, candidato a vice em 2022
  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens da Presidência

A acusação aponta que este é o núcleo central da conspiração, responsável por estruturar a tentativa de ruptura institucional e por dar suporte aos atos de 8 de janeiro de 2023, que resultaram na depredação dos prédios dos Três Poderes.

Próximos passos e impacto político

Encerradas as sustentações, os ministros Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin iniciarão a votação. A decisão será por maioria simples: três votos bastam para definir a condenação. Caso os réus sejam punidos, caberá ao colegiado fixar as penas conforme a participação individual de cada acusado.

Mais do que um julgamento jurídico, o processo representa a confrontação do Brasil com sua tentativa mais grave de ruptura democrática desde 1988. A responsabilização de Jair Bolsonaro e seus generais aliados é vista como um divisor de águas na defesa do Estado Democrático de Direito.

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