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Golpismo em julgamento: STF inicia processo contra Jair Bolsonaro e aliados

Primeira Turma decide futuro do ex-presidente e sete réus pela trama golpista de 2022
© Lula Marques/Agência Brasil
© Lula Marques/Agência Brasil
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu nesta terça-feira (2), às 9h, o julgamento histórico que pode condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete de seus principais aliados pela trama golpista que tentou reverter o resultado das eleições de 2022. O caso, conduzido pela Procuradoria-Geral da República (PGR), expõe o núcleo mais próximo do ex-mandatário na ofensiva contra o Estado Democrático de Direito.

O que está em jogo no STF

O processo foi incluído na pauta da Primeira Turma do STF, presidida pelo ministro Cristiano Zanin, com oito sessões previstas entre 2 e 12 de setembro. O relator, ministro Alexandre de Moraes, apresentará o relatório com todas as etapas da investigação. Em seguida, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, terá até duas horas para sustentar a acusação, e as defesas dos réus terão uma hora cada para falar.

A votação sobre condenação ou absolvição ocorrerá nas próximas sessões. As penas podem ultrapassar 30 anos de prisão. A maioria de três votos, entre os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, será suficiente para definir o destino dos acusados.

Quem são os oito réus da trama golpista

  • Jair Bolsonaro – ex-presidente da República
  • Alexandre Ramagem – deputado federal e ex-diretor da Abin
  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF
  • Augusto Heleno – ex-ministro do GSI
  • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa
  • Walter Braga Netto – ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, candidato a vice em 2022
  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens da Presidência

Todos respondem pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, além de delitos relacionados à depredação de patrimônio público.

No caso de Alexandre Ramagem, parte das acusações foi suspensa em razão de sua condição de deputado federal. Ele segue processado pelos crimes de golpe de Estado, organização criminosa armada e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

As acusações centrais contra Bolsonaro e aliados

A denúncia da PGR aponta o envolvimento direto dos réus na formulação do plano “Punhal Verde e Amarelo”, que incluía o sequestro ou assassinato de autoridades como o ministro Alexandre de Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Outro ponto-chave é a chamada “minuta do golpe”, documento que previa a decretação de estado de defesa e de sítio para impedir a posse de Lula em janeiro de 2023. A peça teria sido do conhecimento do próprio Jair Bolsonaro, confirmando seu papel central na conspiração.

Além disso, a acusação relaciona os réus aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando prédios dos Três Poderes foram depredados em Brasília em um ataque coordenado para tentar derrubar o governo eleito.

A primeira sessão e os próximos passos

A abertura da sessão coube ao ministro Cristiano Zanin, que passou a palavra ao relator Alexandre de Moraes para leitura do relatório. Após a sustentação da PGR, os advogados apresentaram suas defesas orais. O julgamento prossegue com os votos, começando pelo relator, e a decisão final poderá consolidar a maior condenação já aplicada a um ex-presidente no Brasil.

Impacto político e histórico

A análise do STF não é apenas jurídica. Representa a confrontação do país com sua tentativa mais grave de ruptura institucional desde a redemocratização. O processo contra Jair Bolsonaro e seus generais aliados expõe a aliança entre extremismo político, setores militares e frações da elite civil que tentaram implodir a Constituição de 1988.

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