O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou nesta terça-feira (9) que não pretende acompanhar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus da trama golpista, retomado na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Cavalcante, não há expectativa de alteração no resultado do julgamento:
“Não vamos perder tempo de assistir. Não temos esperança de absolvição desse julgamento. Continuamos trabalhando pela anistia”, disse à coluna de Bela Megale, do jornal O Globo.
O parlamentar destacou que a estratégia do PL está voltada para a via política, por meio de projetos de anistia que possam ser aprovados no Congresso Nacional, considerando que qualquer tentativa de reverter decisões do STF seria improvável.

Anistia como prioridade do PL
O projeto de anistia é hoje a principal bandeira do partido, especialmente após o avanço do julgamento no STF, que analisa crimes atribuídos a Bolsonaro e aos aliados, como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
Cavalcante ressaltou que a movimentação para retomar o tema só ocorrerá após a definição das penas pelos ministros:
“O projeto de anistia não avançará nesta semana por causa do julgamento em curso. A ideia é voltar ao tema depois que o STF definir as penalidades”, explicou.
Enquanto Cavalcante optou por não acompanhar a sessão presencialmente, outros parlamentares do PL adotaram postura diferente. O líder da oposição na Câmara, deputado Zucco (PL-RJ), marcou presença no STF para acompanhar os trabalhos em defesa do ex-presidente.
Contexto do julgamento
O julgamento da trama golpista começou nesta terça com o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes, que afirmou não haver dúvidas sobre a tentativa de golpe de Bolsonaro e seus aliados. As sessões foram programadas até sexta-feira (12), quando devem ser divulgadas as penas dos réus do chamado “núcleo crucial”.
Os réus incluem:
- Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;
- Alexandre Ramagem – ex-diretor da Abin e deputado federal;
- Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
- Anderson Torres – ex-ministro da Justiça;
- Augusto Heleno – ex-ministro do GSI;
- Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;
- Walter Braga Netto – ex-ministro da Defesa;
- Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

