Jogando a Toalha

Sóstenes diz que não acompanhará julgamento de Bolsonaro: “Não temos esperança”

Líder do PL afirma que partido aposta em anistia política, não reversão judicial
Sóstenes Cavalcante - Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Sóstenes Cavalcante - Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou nesta terça-feira (9) que não pretende acompanhar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus da trama golpista, retomado na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Cavalcante, não há expectativa de alteração no resultado do julgamento:

“Não vamos perder tempo de assistir. Não temos esperança de absolvição desse julgamento. Continuamos trabalhando pela anistia”, disse à coluna de Bela Megale, do jornal O Globo.

O parlamentar destacou que a estratégia do PL está voltada para a via política, por meio de projetos de anistia que possam ser aprovados no Congresso Nacional, considerando que qualquer tentativa de reverter decisões do STF seria improvável.

Bolsonaro e Sóstenes - Foto: Reprodução
Bolsonaro e Sóstenes – Foto: Reprodução

Anistia como prioridade do PL

O projeto de anistia é hoje a principal bandeira do partido, especialmente após o avanço do julgamento no STF, que analisa crimes atribuídos a Bolsonaro e aos aliados, como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Cavalcante ressaltou que a movimentação para retomar o tema só ocorrerá após a definição das penas pelos ministros:

“O projeto de anistia não avançará nesta semana por causa do julgamento em curso. A ideia é voltar ao tema depois que o STF definir as penalidades”, explicou.

Enquanto Cavalcante optou por não acompanhar a sessão presencialmente, outros parlamentares do PL adotaram postura diferente. O líder da oposição na Câmara, deputado Zucco (PL-RJ), marcou presença no STF para acompanhar os trabalhos em defesa do ex-presidente.


Contexto do julgamento

O julgamento da trama golpista começou nesta terça com o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes, que afirmou não haver dúvidas sobre a tentativa de golpe de Bolsonaro e seus aliados. As sessões foram programadas até sexta-feira (12), quando devem ser divulgadas as penas dos réus do chamado “núcleo crucial”.

Os réus incluem:

  • Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;
  • Alexandre Ramagem – ex-diretor da Abin e deputado federal;
  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça;
  • Augusto Heleno – ex-ministro do GSI;
  • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto – ex-ministro da Defesa;
  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Recomendadas