Incoerência

Ministros reagem com espanto ao voto de Luiz Fux no caso Bolsonaro

Divergência sobre competência da Corte surpreende colegas e abre espaço para recursos da defesa
Os ministros do STF Luiz Fux e Flávio Dino durante o julgamento da trama golpista. Foto: Gustavo Moreno/STF
Foto: Gustavo Moreno/STF
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O voto do ministro Luiz Fux no julgamento da tentativa de golpe de Estado provocou espanto e revolta entre integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado afirmou que a Corte seria “absolutamente incompetente” para julgar o caso, já que os réus não possuem mais prerrogativa de foro, e defendeu que o processo fosse remetido ao plenário.

“Sinteticamente, ao que vou me referir é que não estamos julgando pessoas que têm prerrogativa de foro, estamos julgando pessoas sem prerrogativa de foro”, declarou Fux, criticando ainda o volume de informações entregues às defesas sem tempo hábil para análise, o que chamou de “tsunami de dados”.

Incoerência apontada

De acordo com o blog de Andreia Sadi (g1), a posição de Fux foi vista como incoerente. Isso porque, em julgamento anterior, o ministro havia votado pelo recebimento da denúncia contra Jair Bolsonaro e outros sete acusados do “núcleo central” da trama golpista, classificando suas ações como “absolutamente repugnantes e inaceitáveis”.

Na ocasião, Fux ressaltou que, embora em tempos passados tais atos não fossem tipificados como crimes consumados, a legislação atual enquadra as condutas como crimes contra o Estado Democrático de Direito. A mudança de postura agora gerou perplexidade nos bastidores.

Impactos para a defesa

Para os advogados dos acusados, o voto abre brechas jurídicas que poderão embasar recursos em instâncias internacionais ou em revisões futuras, principalmente com base na alegação de incompetência do STF e de cerceamento de defesa.

Placar parcial

Até o momento, os ministros Alexandre de Moraes (relator) e Flávio Dino votaram pela condenação de Bolsonaro e dos demais sete réus. Fux divergiu, levantando as preliminares. Ainda faltam os votos de Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, que, segundo avaliação nos bastidores, devem se alinhar à tese condenatória.

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