Golpistas Assumidos

Valdemar Costa Neto admite plano de golpe

Presidente do PL confessou em evento que houve planejamento golpista e minimizou ataques de 8 de Janeiro, contrariando lei sancionada pelo ex-presidente.
Valdemar da Costa Neto, presidente do PL. Foto: reprodução
Valdemar da Costa Neto, presidente do PL. Foto: reprodução
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Em fala polêmica, Valdemar Costa Neto admitiu que houve planejamento de golpe no Brasil, mas minimizou os crimes do 8 de Janeiro. A lei que criminaliza a tentativa foi sancionada por Jair Bolsonaro em 2021.


Confissão em evento no interior de São Paulo

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, admitiu publicamente que “houve um planejamento de golpe” no Brasil. A declaração foi dada no sábado (13), durante participação no Rocas Festival, em Itu (SP). Em tom de deboche, o dirigente classificou os ataques de 8 de janeiro de 2023 como uma simples “bagunça” e chegou a culpar o PT pela mobilização golpista.

Houve um planejamento de golpe, mas nunca teve o golpe efetivamente. No Brasil, a lei diz o seguinte: ‘se você planejar um assassinato, mas não fez nada, não tentou, não é crime’. O golpe não foi crime”, afirmou Valdemar.


Tentativa de golpe já é crime no Brasil

A declaração contraria a legislação brasileira. O Código Penal define como crime a tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito, por meio de violência ou grave ameaça, com penas de 4 a 8 anos de prisão.

O golpe de Estado propriamente dito — quando se busca depor governo legitimamente constituído — também é crime, com pena de 4 a 12 anos. Ambos os artigos foram incluídos pela Lei nº 14.197/2021, que substituiu a antiga Lei de Segurança Nacional.


Lei foi sancionada por Bolsonaro e seus ministros

A norma que criminaliza golpes e tentativas de golpe foi sancionada pelo então presidente Jair Bolsonaro em 2021, após aprovação no Congresso. O ato contou com a assinatura de ministros que hoje figuram como réus no Supremo Tribunal Federal (STF), como Augusto Heleno, Braga Netto e Anderson Torres.

A ex-ministra Damares Alves também endossou a lei, mas não é acusada neste processo. Bolsonaro vetou apenas um trecho que previa punição para propagação massiva de fake news durante eleições.


8 de Janeiro segue no centro das investigações

Os atos golpistas de 2023 resultaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília. Milhares de apoiadores de Bolsonaro foram presos e já enfrentam condenações no STF.

Enquanto isso, declarações como a de Valdemar Costa Neto reforçam a tentativa de normalizar um atentado contra a democracia, em contraste com as próprias regras assinadas pelo governo Bolsonaro.

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