A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro enviou nesta terça-feira (16) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), um relatório médico detalhando o episódio de saúde que levou o ex-presidente ao Hospital DF Star em Brasília. De acordo com o cardiologista Leandro Echenique, Bolsonaro apresentou “episódio de mal-estar, pré-síncope e vômitos com queda da pressão arterial”.
O documento, enviado dentro do prazo de 24 horas estabelecido pela Justiça, busca regularizar o deslocamento médico do ex-presidente, que deixou a prisão domiciliar acompanhado pelos policiais penais que monitoram sua residência. Sob as regras determinadas por Moraes, Bolsonaro pode ir ao hospital em casos de emergência, mas deve enviar atestado médico ao STF no prazo de um dia.
Qual o quadro clínico descrito
O termo “pré-síncope” utilizado pelo cardiologista refere-se a uma situação em que a pessoa experimenta sintomas como tontura, fraqueza, sudorese e visão turva que podem preceder um desmaio (síncope), mas sem perda completa da consciência. A condição está frequentemente associada a quedas bruscas da pressão arterial.
O relatório médico confirma os sintomas de vômitos e queda pressórica que justificaram o deslocamento emergencial. O quadro se soma aos problemas de saúde preexistentes de Bolsonaro, incluindo a anemia por deficiência de ferro diagnosticada no domingo (14) durante procedimento para retirada de lesões cutâneas.
Como a Justiça monitora a saúde
O STF mantém rigoroso controle sobre os deslocamentos médicos de Bolsonaro durante a prisão domiciliar. Além da obrigação de envio de atestados dentro de 24 horas, a equipe médica que atende o ex-presidente deve fornecer relatórios detalhados sobre seu estado de saúde e os tratamentos realizados.
O sistema permite que a Justiça acompanhe a evolução clínica do ex-presidente enquanto garante que os deslocamentos hospitalares sejam estritamente necessários e não representem oportunidades para eventual descumprimento das medidas cautelares.
Qual o contexto político
O episódio de saúde ocorre em meio a intensa articulação política pela anistia a Bolsonaro. Nesta mesma terça-feira, o ministro Alexandre de Moraes determinou que a PGR se manifeste sobre a atuação do governador Tarcísio de Freitas em defesa da proposta de anistia ao ex-presidente.
A coincidência temporal entre a crise de saúde e as movimentações políticas levanta questionamentos entre setores do Judiciário, embora médicos independentes consultados pela reportagem confirmem que os sintomas descritos são consistentes com o histórico médico de Bolsonaro e o recente diagnóstico de anemia.
O que significa pré-síncope
A pré-síncope é uma condição médica que pode resultar de múltiplas causas, incluindo desidratação, problemas cardíacos, anemia severa ou efeitos colaterais de medicamentos. No caso de Bolsonaro, a anemia recentemente diagnosticada – que requer reposição de ferro endovenosa – poderia ser um fator contribuinte significativo.
O tratamento adequado geralmente envolve investigação das causas subjacentes, reposição volêmica quando necessária e ajuste de medicamentos. O acompanhamento cardiológico é essencial para descartar arritmias ou outras condições cardíacas que possam causar sintomas similares.

