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Contra o povo, Câmara pode votar urgência para anistia a golpistas ainda hoje

Após aprovar PEC da Blindagem, oposição pressiona Hugo Motta por votação de projeto que beneficie condenados do 8 de Janeiro.

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
- Editor e analista geopolítico
O presidente da pior Câmara da história, Hugo Motta - Bruno Spada

Apenas 24 horas após aprovar a PEC da Blindagem — que protege parlamentares de ações judiciais —, a Câmara dos Deputados pode votar ainda nesta quarta-feira (17) o requerimento de urgência para o projeto de anistia aos condenados pelos ataques golpistas de 8 de Janeiro de 2023.

O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), reunirá líderes partidários no início da noite para definir se inclui a matéria na pauta — em claro aceno à agenda antidemocrática da oposição bolsonarista.

A pressão é liderada pelo PL de Jair Bolsonaro — condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe — e conta com apoio de parte do Centrão. Enquanto a oposição defende uma “anistia ampla, geral e irrestrita” que inclua o ex-presidente, setores do governo e do Centrão sinalizam aceitar apenas uma “anistia light”, com redução de penas para os condenados, mas sem beneficiar Bolsonaro.

A disputa pela narrativa da impunidade

Dois projetos estão em jogo:

  1. Anistia ampla (PL): Perdão total a todos os condenados, incluindo Bolsonaro e líderes golpistas;
  2. Redução de penas (Fausto Pinato/PP-SP): Diminuição proporcional das penas, sem anistiar organizadores.

Hugo Motta — que na véspera articulou uma reunião secreta sobre o tema — joga com ambos os lados: diz à oposição que o tema “precisa ser enfrentado” e ao governo que não há prazo definido. Na prática, negocia com a democracia como moeda de troca.

O contexto: blindagem seguida de anistia

A sequência é sintomática: primeiro, a Câmara aprova a PEC da Blindagem para proteger parlamentares investigados; agora, avança sobre a anistia para beneficiar golpistas condenados. A mensagem é clara: o Congresso está sob controle de quem quer reescrever as regras da impunidade.

O presidente do SenadoDavi Alcolumbre (União-AP), já avisou que não pautará anistia ampla — mas trabalha em um texto alternativo de redução de penas. A ministra Gleisi Hoffmann (PT) também sinaliza aceitar essa via como mal menor.

Por que a urgência?

A oposição quer votar o requerimento de urgência ainda hoje porque:

  • Aproveita o momentum da vitória da PEC da Blindagem;
  • Pressiona o governo em um momento de fragilidade;
  • Testa os limites do STF e da opinião pública.

Se aprovado, o projeto de anistia poderá ser votado em plenário em até 48 horas — sem passar por comissões.

O risco democrático

A anistia a golpistas — seja “ampla” ou “light” — é um atentado à democracia. Significa perdoar quem planejou, financiou e executou uma tentativa de golpe de Estado. É declarar que crimes contra a Constituição são negociáveis.

A sociedade precisa estar alerta: o Congresso debate hoje não “anistia”, mas impunidade para golpistas. E Hugo Motta é o principal operador dessa agenda.

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JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.