Réu Traidor

STF forma maioria para tornar Eduardo Bolsonaro réu

Primeira Turma aceita denúncia da PGR contra deputado por pressões internacionais para interferir no julgamento do pai
Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Com a decisão do ministro Cristiano Zanin, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para aceitar a denúncia e tornar o deputado federal Eduardo Bolsonaro réu por coação, relacionada a ações realizadas nos Estados Unidos para influenciar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No plenário virtual, o ministro relator Alexandre de Moraes foi o primeiro a votar, indicando que há provas da materialidade e indícios razoáveis de autoria nas condutas atribuídas a Eduardo Nantes Bolsonaro. Segundo ele, o parlamentar articulou pressões externas com potencial para causar grave ameaça institucional, incluindo a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros (conhecida como “tarifaço”), restrições de vistos a autoridades brasileiras e aplicação da Lei Magnitsky, medidas que objetivavam intimidar e coagir ministros do STF durante o julgamento da Ação Penal nº 2.668/DF.

A denúncia, apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), enquadra a conduta no artigo 344 do Código Penal, que prevê pena de 1 a 4 anos de reclusão por coação no curso do processo, podendo ser ampliada por se tratar de conduta reiterada.

Os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin acompanharam o relator, consolidando a maioria necessária para o avanço da ação penal contra o deputado. O julgamento permanece aberto até 25 de novembro, quando os demais ministros da Primeira Turma devem registrar seus votos finais.

A defesa de Eduardo Bolsonaro está a cargo da Defensoria Pública da União, estabelecida após o parlamentar não constituir advogado. A defesa sustenta que as manifestações do deputado são parte legítima da liberdade de expressão e do exercício do mandato parlamentar, negando qualquer capacidade real do parlamentar para impor ou retirar sanções econômicas internacionais, apontando que decisões soberanas dos EUA são independentes da atuação dele.

O caso tem grande impacto jurídico e político, pois decorre diretamente do processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma organização criminosa que tentou manter-se no poder após a derrota eleitoral de 2022.

Recomendadas