Na sessão desta terça-feira (9 de dezembro de 2025), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), reagiu com risos ao notar que o tempo de fala da deputada Fernanda Melchionna (PSOL) havia se esgotado e que seu microfone fora cortado.
“Acabou, acabou, chega, chega”, gritou um parlamentar no plenário. Em seguida, Motta riu e concedeu a palavra a um deputado do Partido Novo.
Críticas à presidência
A deputada protestava contra a postura do presidente da Casa no episódio envolvendo o deputado Glauber Braga (PSOL). Durante o discurso interrompido, Melchionna denunciava agressões a profissionais da imprensa e a parlamentares ocorridas mais cedo.
“Enquanto ficaram em silêncio quando deputados golpistas sequestraram a Mesa da Câmara por dois dias, Glauber foi arrastado para fora do plenário. Absurdo”, escreveu a parlamentar em publicação na rede X.
Comparações incômodas
Era esse o tema da fala quando o áudio foi cortado no plenário. A deputada fazia referência a episódios anteriores de obstrução parlamentar. Em agosto, parlamentares da oposição ocuparam os trabalhos da Câmara em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na ocasião, deputados e senadores ocuparam os plenários exigindo a votação do projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Ação desigual
Após quase 48 horas, Hugo Motta retomou o controle da Casa sem acionar a Polícia Legislativa. Situação distinta da registrada agora, quando determinou a retirada forçada de Glauber Braga da Mesa Diretora, durante um ato de resistência após o anúncio de análise do processo de cassação de seu mandato.
