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Vassalagem sem vergonha

PT denuncia Flávio Bolsonaro, que quer ser presidente, e Nikolas, por pedirem intervenção dos EUA no Brasil

Por JR Vital Analista Geopolítico

Há um tipo recorrente na história brasileira: o dirigente que, incapaz de disputar poder dentro das regras nacionais, oferece o país em bandeja ao estrangeiro. Não é novidade. Do século XIX às quarteladas do século XX, o vira-latismo político sempre reaparece quando a democracia se mostra inconveniente.

Agora, ele surge em versão parlamentar e com redes sociais.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, anunciou que acionará a Polícia Federal contra parlamentares da extrema-direita acusados de estimular, ainda que por insinuação, uma intervenção dos Estados Unidos no Brasil. Os nomes citados não são periféricos: o deputado Nikolas Ferreira e o senador Flávio Bolsonaro, ambos associados ao bolsonarismo e a projetos de poder nacional.

A acusação é grave e direta: ultrapassaram a crítica política e flertaram com a quebra da soberania brasileira.

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Na literatura política, esse comportamento tem nome antigo. Em Os Sertões, Euclides da Cunha descreveu elites que desprezavam o próprio país enquanto bajulavam potências externas. Já Nelson Rodrigues cunhou o termo definitivo: o complexo de vira-lata — a convicção patológica de que tudo que vem de fora é superior, inclusive a tutela armada.

“Quem pede tanque estrangeiro para resolver disputa interna já abdicou da ideia de nação.”

Do delírio retórico ao crime político

Segundo Lindbergh, publicações recentes sugeriram que o presidente Lula poderia sofrer destino semelhante ao de Nicolás Maduro, capturado pelos EUA. Para o PT, não se trata de metáfora, ironia ou bravata digital: é sinalização política com potencial enquadramento criminal.

A representação entregue à Polícia Federal pede apuração por crimes como atentado à soberania, tentativa de golpe e associação criminosa. O argumento central é simples: estimular ameaça externa contra o próprio país não é opinião — é conduta.

Reincidência como método

O caso não surge no vácuo. Lindbergh lembra episódios anteriores envolvendo Flávio Bolsonaro, como declarações em que o senador sugeriu, sem pudor, o uso de navios de guerra dos EUA na Baía de Guanabara. A lógica é constante: incapaz de formular política pública, recorre-se ao imaginário do porrete estrangeiro.

Na história latino-americana, esse expediente sempre precedeu tragédias. Do Chile de 1973 à América Central dos anos 1980, o convite à intervenção nunca terminou em liberdade — apenas em cadáveres e silêncio.

Imunidade não é salvo-conduto

O cerco jurídico se amplia. Ivan Valente (PSOL) e Juliano Medeiros anunciaram representação à Procuradoria-Geral da República contra Nikolas Ferreira. A tese é clara: imunidade parlamentar não cobre incitação à ruptura democrática nem defesa de invasão estrangeira.

O Supremo já consolidou entendimento semelhante em casos anteriores. A liberdade de expressão não inclui o direito de conspirar contra o próprio Estado.

O Brasil como colônia imaginária

No fundo, o episódio revela mais do que um embate jurídico. Ele expõe um projeto político que nunca rompeu com o Brasil colonial — aquele que aceita soberania apenas quando ela serve aos seus interesses.

Ao pedir intervenção externa, esses parlamentares não atacam apenas o governo Lula. Atacam a ideia de Brasil como sujeito histórico. E isso, em qualquer democracia minimamente madura, tem nome, consequência e endereço penal.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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