O Partido dos Trabalhadores decidiu puxar o freio de emergência contra um método já conhecido da extrema direita brasileira: a acusação grave, repetida e desmentida, lançada como fato consumado nas redes sociais. Ao processar o deputado Paulo Bilynskyj por associar o PT, Lula e a esquerda latino-americana ao narcotráfico, o partido não reage a uma opinião — reage a uma falsificação deliberada da realidade.
O vídeo publicado pelo parlamentar tenta colar o partido brasileiro ao caso de Nicolás Maduro, sequestrado pelos Estados Unidos e acusado de narcoterrorismo. A lógica é simples, rudimentar e perigosa: se um líder de esquerda é acusado, todos os outros também o são. Não é argumento jurídico, é panfleto digital.
A tática remete ao macarthismo do século XX, quando a acusação de “comunista” bastava para destruir reputações, dispensando provas. Como em 1984, de George Orwell, a repetição transforma a mentira em sensação de verdade — sobretudo quando amplificada por milhões de seguidores.
“Quando falta prova, sobra acusação; quando falta argumento, entra o ódio como atalho político.”
A engrenagem da fake news
O PT sustenta que a publicação dissemina uma narrativa “sabidamente falsa”, já derrubada em outras ocasiões por decisões judiciais. A reincidência não é acidente: é método. Bilynskyj, com 1,4 milhão de seguidores, opera como vetor de difusão de acusações que não resistem a qualquer verificação factual, mas cumprem seu papel de inflamar a base e contaminar o debate público.
Liberdade de expressão não é salvo-conduto
A ação judicial deixa claro que não se trata de censura. O ponto central é a responsabilização posterior por danos à honra e à imagem pública. No Estado de Direito, liberdade de expressão não inclui o direito de imputar crimes sem provas, ainda mais quando o objetivo explícito é induzir ao ódio político e à criminalização do adversário.
Pré-eleição e terra sem lei digital
O partido também chama atenção para o timing: a circulação intensa do vídeo ocorre em um ambiente pré-eleitoral, quando mentiras ganham velocidade e impacto. A Justiça, ao analisar o caso, será chamada a decidir se o Parlamento pode continuar funcionando como bunker de imunidade moral para acusações criminosas fabricadas.
A disputa vai além do PT ou de Bilynskyj. O que está em jogo é se a política brasileira seguirá tolerando que o narcotráfico seja usado como metáfora barata para criminalizar adversários — ou se, finalmente, a mentira começará a ter custo.

