OS FATOS
- Advogados de Jair Bolsonaro pediram ao STF a instalação de uma Smart TV na Superintendência da PF, sob a justificativa de acompanhar o noticiário.
- A petição também inclui a autorização para visitas de dois pastores e o pedido de remição de pena por leitura (4 dias a menos por livro).
- A senadora Damares Alves solicitou vistoria na cela pela Comissão de Direitos Humanos, citando o “traumatismo craniano leve” sofrido pelo ex-presidente em uma queda recente.
O cárcere, para quem sempre viveu no simulacro das redes sociais, parece ser um espelho incômodo demais. Jair Bolsonaro, o homem que governou o Brasil entre “lives” e cercadinhos, agora implora ao seu nêmesis jurídico, Alexandre de Moraes, por uma janela digital: uma Smart TV com acesso ao YouTube. Sob o pretexto de “preservar o vínculo com a realidade política”, a defesa tenta, na verdade, devolver ao ex-presidente o único oxigênio que ele conhece — a narrativa fragmentada das plataformas. É a busca desesperada pela manutenção do personagem, mesmo quando o figurino de chefe de Estado foi substituído pelo uniforme de custodiado.
“Pedir uma Smart TV para ‘manter o vínculo com a realidade’ é a confissão final de quem só consegue enxergar o mundo através de um algoritmo de conveniência.”
A estratégia de Damares e o “traumatismo” como ferramenta política
A entrada de Damares Alves no cenário, evocando a Comissão de Direitos Humanos para fiscalizar a cela, é o clássico movimento de vitimização deliberada. Ao utilizar a queda acidental de Bolsonaro — diagnosticada como traumatismo craniano leve — como justificativa para uma “vistoria institucional”, a senadora tenta transformar a Superintendência da PF em um palco de perseguição política. É irônico ver expoentes da extrema-direita, que tantas vezes pregaram o rigor absoluto do sistema prisional (“bandido bom é bandido morto”), agora recorrendo aos manuais de direitos humanos para garantir conforto e televisores de última geração ao seu líder.
Quais as chances de Moraes autorizar o “pacote de benefícios” do ex-presidente?
O ministro Alexandre de Moraes, conhecido pelo rigor na observância das normas de execução penal, terá que decidir se uma Smart TV é um item de ressocialização ou um privilégio indevido. Embora o acesso à informação seja um direito, a conexão com a internet (necessária para o YouTube) abre brechas para comunicações externas não monitoradas, o que costuma ser vetado em regimes de custódia. No xadrez do STF, o pedido de Bolsonaro soa como um teste de paciência: entre resenhas de livros para reduzir a pena e o desejo de maratonar vídeos, o ex-presidente tenta transformar sua cela em um escritório político com serviço de streaming.
Expediente: 8 de janeiro de 2026, 22:30 | Edição: JR Vital (MTB 0037673/RJ). Siga o Diário Carioca: Instagram | X (Twitter) | Facebook.

