Preso Mimado

PF reduz ar-condicionado após defesa de Jair Bolsonaro alegar “tortura acústica”

O sistema de climatização da cela na Superintendência do DF agora é desligado às 19h30 para cessar ruídos; ex-presidente enfrentará o calor do Planalto sem o conforto da refrigeração noturna.
O preso Jair Bolsonaro - Foto: Lula Marques/Agência Brasil
O preso Jair Bolsonaro - Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico

Jornalista do Diário Carioca.

A Polícia Federal implementou, nesta quarta-feira (14), um novo regime de funcionamento para o ar-condicionado da cela onde Jair Bolsonaro cumpre sua pena na Superintendência em Brasília. Atendendo a uma série de petições da defesa e reclamações de familiares, a central de refrigeração será desligada todas as noites, das 19h30 às 07h30. O motivo alegado pelos advogados ao Supremo Tribunal Federal (STF) é um ruído constante e “insuportável” vindo do sistema, que estaria impedindo o repouso e afetando a saúde do ex-mandatário.

A PF, em resposta técnica enviada ao STF, confirmou a existência do barulho, mas ressaltou que a solução definitiva demandaria uma reforma estrutural no prédio, algo inviável no momento sem paralisar as atividades da unidade. Diante do impasse, a solução foi a mais pragmática: o silêncio em troca do calor. Bolsonaro, que durante seu governo frequentemente ignorou protocolos de ciência e saúde pública, agora se vê diante de um dilema termodinâmico — suportar o zumbido mecânico ou o mormaço da capital federal durante as noites de verão.

A medida gera debates sobre a isonomia do sistema prisional. Enquanto milhares de detentos brasileiros enfrentam superlotação e ventilação precária em presídios comuns, a discussão sobre os decibéis do ar-condicionado de uma cela especial na PF soa, para muitos críticos, como um “problema de primeiro mundo” para quem sempre pregou o rigor punitivo. A defesa, contudo, insiste que o ruído configura uma forma de tratamento degradante, forçando a Polícia Federal a adotar o rodízio elétrico.

O silêncio custa caro (em Celsius)

A estratégia da defesa de Bolsonaro de judicializar cada detalhe de sua estadia na PF — desde a dieta até a acústica — visa, claramente, criar um ambiente de vitimização. No entanto, ao conseguir o desligamento do ar-condicionado, o ex-presidente pode ter “ganhado” o silêncio, mas perdeu a batalha contra o termômetro. No Distrito Federal, onde as temperaturas noturnas em janeiro podem ser sufocantes, o descanso sem refrigeração pode se provar um desafio maior do que o barulho que a defesa classifica como tortura.

Logística da Refrigeração na Superintendência

HorárioStatus do SistemaCondição da Cela
07:30 – 19:30LigadoClimatizada, mas com ruído operacional.
19:30 – 07:30DesligadoSilenciosa, sujeita à temperatura ambiente do DF.
MotivaçãoQueixa da DefesaAlegação de prejuízo à saúde e ao sono.
Solução PFRodízio DiárioEvitar obras estruturais complexas no prédio.

A acústica do “Mito”

Para quem passou anos bradando que “bandido bom é bandido morto”, reclamar de um zumbido no ar-condicionado parece um tanto irônico. A “Navalha Carioca” observa: Bolsonaro descobriu que o rigor da lei tem som, e esse som não é de aplausos, mas de uma máquina velha que não para de girar. Agora, no escuro e no calor da cela, o ex-presidente terá tempo de sobra para refletir se o barulho da justiça é realmente mais incômodo do que o silêncio da sua irrelevância política em 2026.


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