A Polícia Federal implementou, nesta quarta-feira (14), um novo regime de funcionamento para o ar-condicionado da cela onde Jair Bolsonaro cumpre sua pena na Superintendência em Brasília. Atendendo a uma série de petições da defesa e reclamações de familiares, a central de refrigeração será desligada todas as noites, das 19h30 às 07h30. O motivo alegado pelos advogados ao Supremo Tribunal Federal (STF) é um ruído constante e “insuportável” vindo do sistema, que estaria impedindo o repouso e afetando a saúde do ex-mandatário.
A PF, em resposta técnica enviada ao STF, confirmou a existência do barulho, mas ressaltou que a solução definitiva demandaria uma reforma estrutural no prédio, algo inviável no momento sem paralisar as atividades da unidade. Diante do impasse, a solução foi a mais pragmática: o silêncio em troca do calor. Bolsonaro, que durante seu governo frequentemente ignorou protocolos de ciência e saúde pública, agora se vê diante de um dilema termodinâmico — suportar o zumbido mecânico ou o mormaço da capital federal durante as noites de verão.
A medida gera debates sobre a isonomia do sistema prisional. Enquanto milhares de detentos brasileiros enfrentam superlotação e ventilação precária em presídios comuns, a discussão sobre os decibéis do ar-condicionado de uma cela especial na PF soa, para muitos críticos, como um “problema de primeiro mundo” para quem sempre pregou o rigor punitivo. A defesa, contudo, insiste que o ruído configura uma forma de tratamento degradante, forçando a Polícia Federal a adotar o rodízio elétrico.
O silêncio custa caro (em Celsius)
A estratégia da defesa de Bolsonaro de judicializar cada detalhe de sua estadia na PF — desde a dieta até a acústica — visa, claramente, criar um ambiente de vitimização. No entanto, ao conseguir o desligamento do ar-condicionado, o ex-presidente pode ter “ganhado” o silêncio, mas perdeu a batalha contra o termômetro. No Distrito Federal, onde as temperaturas noturnas em janeiro podem ser sufocantes, o descanso sem refrigeração pode se provar um desafio maior do que o barulho que a defesa classifica como tortura.
Logística da Refrigeração na Superintendência
| Horário | Status do Sistema | Condição da Cela |
| 07:30 – 19:30 | Ligado | Climatizada, mas com ruído operacional. |
| 19:30 – 07:30 | Desligado | Silenciosa, sujeita à temperatura ambiente do DF. |
| Motivação | Queixa da Defesa | Alegação de prejuízo à saúde e ao sono. |
| Solução PF | Rodízio Diário | Evitar obras estruturais complexas no prédio. |
A acústica do “Mito”
Para quem passou anos bradando que “bandido bom é bandido morto”, reclamar de um zumbido no ar-condicionado parece um tanto irônico. A “Navalha Carioca” observa: Bolsonaro descobriu que o rigor da lei tem som, e esse som não é de aplausos, mas de uma máquina velha que não para de girar. Agora, no escuro e no calor da cela, o ex-presidente terá tempo de sobra para refletir se o barulho da justiça é realmente mais incômodo do que o silêncio da sua irrelevância política em 2026.

