Brasília – O plano de guerra está em curso: o PL lança Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro, ao Senado com aval de Brasília e ameaça montá-lo como peça-chave de uma bancada de confronto em 2026. Quem comanda os bastidores da operação é Jair Bolsonaro, que sonha com dois senadores no Rio, dobrar sua bancada federal e usar o Congresso como aríete contra o STF e o Planalto.
O governador fluminense não está exatamente com a faca na mão, mas com a corda no pescoço. Mesmo filiado ao PL, Castro já tem na manga convites da federação União Progressista (União Brasil + PP) e da federação Solidariedade-PRD, caso o partido resolva rifá-lo em nome de um nome mais ideológico. Os convites funcionam como aviso: Castro é útil, mas descartável.
A movimentação escancara os dividendos colhidos por Castro após anos loteando o Estado para a velha política. Secretarias, emendas e cargos irrigaram uma aliança de conveniência que garantiu sua eleição em primeiro turno em 2022. Agora, esse mesmo bloco exige retorno — e mira o Senado como passo seguinte do projeto autoritário do bolsonarismo.
PL lança Castro ao Senado para montar tropa de choque
O projeto do PL vai muito além do Rio. Ao lançar Cláudio Castro ao Senado, o partido quer consolidar uma bancada de confronto institucional. A ideia é simples: se o bolsonarismo não voltar ao Planalto em 2026, que pelo menos tenha maioria para sabotar, travar e retaliar.
No Rio, o plano inclui uma dobradinha perversa. De um lado, Carlos Bolsonaro, o vereador mais votado da história da cidade, finalmente vai migrar para a Câmara dos Deputados. Com votações recordes na bagagem e um exército digital a tiracolo, o “filho 02” será o grande puxador de votos do partido — e o canal direto da extrema-direita entre as redes e o Congresso.
De outro, Castro surge como peça de reposição institucional: um nome com verniz de gestor, palatável ao centrão, mas fiel ao projeto bolsonarista.
Carlos Bolsonaro: o trator de votos do bolsonarismo
A lógica da máquina é simples: Carlos empilha votos para puxar bancada. O plano do PL é saltar de 8 para 16 deputados federais no Rio, dobrando de tamanho e blindando o núcleo bolsonarista com mandatos, imunidade e verba.
O trator eleitoral contará ainda com palanques em todas as grandes cidades do estado, alianças com partidos de centro-direita e a promessa de um novo exército digital para replicar fake news, ataques e teorias conspiratórias — prática já testada em eleições anteriores.
Além disso, o PL quer manter os três senadores fluminenses sob seu guarda-chuva até 2026, o que garantiria influência desproporcional em votações decisivas no Senado, especialmente em temas como nomeações ao STF, CPI do Judiciário e eventuais tentativas de anistia para os golpistas do 8 de janeiro.
União fisiológica: de Castro ao caos
A aposta em Castro para o Senado tem menos a ver com liderança e mais com submissão. O governador fluminense, eleito sem nunca ter liderado de fato, é tratado como um boneco funcional pelo bolsonarismo. A promessa de uma cadeira no Senado é o prêmio por anos de fidelidade silenciosa — e pela capacidade de manter a máquina funcionando, sem questionar os donos do projeto.
Do lado das federações, a movimentação revela outro problema: a lógica fisiológica ainda comanda a política fluminense. Em vez de plataformas, ideias ou programas, o que se negocia são siglas, cargos e blindagens. A federação União Progressista, formada por dois dos partidos mais centrão do país, já ofereceu legenda caso o PL hesite. Solidariedade-PRD também entrou no leilão.
A regra do jogo é clara: quem quiser vaga, que entregue estrutura, silêncio e votos.
O Carioca esclarece
Quem é Cláudio Castro e por que ele virou aposta do PL?
Governador reeleito do Rio, Castro é visto como gestor maleável e fiel ao bolsonarismo, útil para o Senado por seu perfil técnico e pouco contestador.
Por que o PL quer Carlos Bolsonaro na Câmara?
Carlos é o principal puxador de votos do bolsonarismo no Rio. Sua ida à Câmara ajuda a turbinar a bancada e fortalece o núcleo duro da extrema-direita.
Quais as consequências dessa articulação para a democracia?
A formação de uma bancada bolsonarista radicalizada tende a ampliar os conflitos com o STF, paralisar o Congresso e enfraquecer instituições democráticas.
Como essa movimentação afeta o Rio de Janeiro?
Transforma o estado em base eleitoral da extrema-direita, reproduzindo uma lógica de chantagem institucional, loteamento político e colapso dos serviços públicos.

