Rio de Janeiro, 18 de julho de 2025 — O governador Cláudio Castro defendeu Jair Bolsonaro após a Polícia Federal cumprir mandados contra o ex-presidente. Ignorando o teor das acusações, criticou a decisão do STF e repetiu a retórica bolsonarista sobre “perseguição política”.
Governador se alinha à narrativa da extrema-direita
Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro, escolheu o lado — e não foi o da democracia. Após a operação da Polícia Federal que impôs a Jair Bolsonaro o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares, Castro publicou uma nota em tom de indignação, não contra os crimes sob investigação, mas contra o Judiciário.
“Bolsonaro sempre esteve à disposição da Justiça e nunca se escondeu”, afirmou o governador nas redes sociais. A frase ecoa a narrativa bolsonarista que tenta reescrever os fatos enquanto o ex-presidente é investigado por atentado à soberania nacional, sabotagem econômica e articulações com agentes estrangeiros.
A naturalização do desrespeito institucional
Ao afirmar que “não se pode tratar um ex-presidente dessa forma”, Castro se vale de um argumento dissimulado. Na prática, ignora que o próprio Bolsonaro descumpriu ordens judiciais, incentivou rupturas institucionais e hoje responde por crimes graves que colocam o Estado brasileiro em risco.
A decisão que impôs a tornozeleira — e que limita seus deslocamentos e comunicações — foi tomada pelo Supremo Tribunal Federal com base em documentos, depoimentos e indícios concretos. Mas para o governador, o foco não está na investigação, e sim na tentativa de preservar a imagem pública de seu aliado político.
Rio de Janeiro como trincheira do bolsonarismo
A declaração de Castro, feita no mesmo dia em que Bolsonaro tentou minimizar o uso da tornozeleira chamando o ato de “suprema humilhação”, explicita a persistência de um pacto informal entre setores do poder estadual fluminense e o bolsonarismo.
Esse alinhamento não é novo. O Rio tem servido, historicamente, como base simbólica e logística da extrema-direita nacional. A defesa pública de Bolsonaro em um momento em que se investiga sua eventual cumplicidade com tarifas impostas contra o Brasil pelo governo Trump é, mais uma vez, sinal de que parte da elite política carioca permanece comprometida com a subversão da soberania nacional.
Decisão judicial, não humilhação política
Ao ser abordado pela imprensa, Jair Bolsonaro afirmou que jamais cogitou deixar o país ou buscar abrigo em embaixadas. Disse ainda que a medida judicial representava uma “suprema humilhação” — discurso pronto para consumo das redes sociais bolsonaristas.
Mas a operação autorizada pelo STF não mira o ex-presidente por sua biografia, mas por suas ações. Está em curso uma investigação robusta, com potencial de revelar um esquema de cooperação com interesses externos que agiu contra o país. Tratar isso como humilhação pessoal ou desrespeito institucional é uma forma deliberada de desviar o foco.
Perguntas e Respostas
1. O que disse Cláudio Castro sobre Bolsonaro?
Que ele “nunca se escondeu” e não deveria ser tratado “dessa forma” pela Justiça.
2. O que está sendo investigado?
Crimes contra a soberania nacional e articulações com potências estrangeiras.
3. Qual a medida imposta pelo STF a Bolsonaro?
Tornozeleira eletrônica, restrição de mobilidade e proibição de comunicação com outros investigados.
4. Castro cometeu crime ao defender Bolsonaro?
Não, mas sua declaração tem caráter político e busca deslegitimar uma investigação em curso.
5. Bolsonaro pode deixar o país?
Não sem autorização judicial. Qualquer tentativa de fuga agravaria sua situação jurídica.

