Combate

Célia Jordão defende combate à violência de gênero em fórum do BRICS

Deputada fluminense participou de painel em Brasília sobre o papel da mulher nas diferentes culturas e alertou para violência política contra parlamentares.
Deputada Célia Jordão representa o Estado do Rio na Frente Parlamentar do BRICS
Deputada Célia Jordão representa o Estado do Rio na Frente Parlamentar do BRICS
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

A deputada estadual Célia Jordão destacou-se no Segundo Fórum BRICS, realizado na Câmara dos Deputados, em Brasília, ao defender com veemência o combate à violência contra as mulheres e a quebra do ciclo de impunidade que perpetua práticas culturais nocivas.

Com mais de duas décadas de atuação em políticas públicas para mulheres, a parlamentar fluminense integrou o painel “Violência de gênero: o papel da mulher nas diferentes culturas”, no dia 16 de setembro, e ressaltou o papel crucial da legislação como instrumento de proteção e transformação social.

O evento, que reuniu representantes dos países-membros do bloco — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — entre 15 e 17 de setembro, abordou temas como casamentos forçados de meninas entre 10 e 15 anos, desigualdade de gênero nos parlamentos e a dependência financeira que mantém milhões de mulheres em situação de vulnerabilidade.

Violência política: o assédio silencioso contra parlamentares

Em sua fala, Célia Jordão alertou para um fenômeno pouco discutido mas profundamente arraigado: a violência política contra mulheres.

“Não podemos nunca esquecer: a culpa da violência nunca é da vítima, e o ciclo de impunidade precisa ser rompido”, afirmou a deputada, destacando que mesmo dentro dos legislativos, mulheres parlamentares enfrentam assédio, descrédito e intimidação de forma silenciosa e constantemente naturalizada.

A observação ecoa um dado alarmante: o Brasil ocupa posição vergonhosa em rankings internacionais de representação feminina na política. Menos de 20% das cadeiras no Congresso Nacional são ocupadas por mulheres, e aquelas que conseguem romper a barreira enfrentam resistência estrutural e ataques misóginos.

Cultura não é justificativa para violência

Um dos pontos centrais da intervenção de Jordão foi a defesa de que tradições e culturas não podem ser usadas como escudo para práticas violentas.

“Esses elementos precisam ser instrumentos de transformação social e promoção da igualdade”, argumentou, em claro recado a setores conservadores que insistem em relativizar violências como feminicídiocasamento infantil e mutilação genital sob a alegação de “respeito a tradições”.

O painel foi mediado pela deputada gaúcha Eliana Bayer e contou com a presença de parlamentares brasileiras como Silvana Covatti e Patrícia Alba, além da deputada Ichwama Litoka Elysee, do Congo, e Milva Villalba, do Paraguai — exemplos de resistência feminina em contextos políticos ainda mais desafiadores.

O caminho: legislação forte e rede de apoio

Para Jordão, a experiência internacional mostra que países que avançaram no enfrentamento à violência de gênero investiram em três frentes:

  1. Legislação específica e efetiva, como a Lei Maria da Penha;
  2. Rede de apoio robusta, com delegacias especializadas, abrigos e centros de referência;
  3. Educação como ferramenta de prevenção e desconstrução de estereótipos.

O Fórum BRICS serve, assim, como espaço crucial para troca de experiências e construção de estratégias conjuntas entre nações que — despite suas diferenças — compartilham o desafio de combater a violência de gênero em meio a desigualdades profundas.

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