Combate

Célia Jordão defende combate à violência de gênero em fórum do BRICS

Deputada fluminense participou de painel em Brasília sobre o papel da mulher nas diferentes culturas e alertou para violência política contra parlamentares.

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
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Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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Deputada Célia Jordão representa o Estado do Rio na Frente Parlamentar do BRICS

A deputada estadual Célia Jordão destacou-se no Segundo Fórum BRICS, realizado na Câmara dos Deputados, em Brasília, ao defender com veemência o combate à violência contra as mulheres e a quebra do ciclo de impunidade que perpetua práticas culturais nocivas.

Com mais de duas décadas de atuação em políticas públicas para mulheres, a parlamentar fluminense integrou o painel “Violência de gênero: o papel da mulher nas diferentes culturas”, no dia 16 de setembro, e ressaltou o papel crucial da legislação como instrumento de proteção e transformação social.

O evento, que reuniu representantes dos países-membros do bloco — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — entre 15 e 17 de setembro, abordou temas como casamentos forçados de meninas entre 10 e 15 anos, desigualdade de gênero nos parlamentos e a dependência financeira que mantém milhões de mulheres em situação de vulnerabilidade.

Violência política: o assédio silencioso contra parlamentares

Em sua fala, Célia Jordão alertou para um fenômeno pouco discutido mas profundamente arraigado: a violência política contra mulheres.

“Não podemos nunca esquecer: a culpa da violência nunca é da vítima, e o ciclo de impunidade precisa ser rompido”, afirmou a deputada, destacando que mesmo dentro dos legislativos, mulheres parlamentares enfrentam assédio, descrédito e intimidação de forma silenciosa e constantemente naturalizada.

A observação ecoa um dado alarmante: o Brasil ocupa posição vergonhosa em rankings internacionais de representação feminina na política. Menos de 20% das cadeiras no Congresso Nacional são ocupadas por mulheres, e aquelas que conseguem romper a barreira enfrentam resistência estrutural e ataques misóginos.

Cultura não é justificativa para violência

Um dos pontos centrais da intervenção de Jordão foi a defesa de que tradições e culturas não podem ser usadas como escudo para práticas violentas.

“Esses elementos precisam ser instrumentos de transformação social e promoção da igualdade”, argumentou, em claro recado a setores conservadores que insistem em relativizar violências como feminicídiocasamento infantil e mutilação genital sob a alegação de “respeito a tradições”.

O painel foi mediado pela deputada gaúcha Eliana Bayer e contou com a presença de parlamentares brasileiras como Silvana Covatti e Patrícia Alba, além da deputada Ichwama Litoka Elysee, do Congo, e Milva Villalba, do Paraguai — exemplos de resistência feminina em contextos políticos ainda mais desafiadores.

O caminho: legislação forte e rede de apoio

Para Jordão, a experiência internacional mostra que países que avançaram no enfrentamento à violência de gênero investiram em três frentes:

  1. Legislação específica e efetiva, como a Lei Maria da Penha;
  2. Rede de apoio robusta, com delegacias especializadas, abrigos e centros de referência;
  3. Educação como ferramenta de prevenção e desconstrução de estereótipos.

O Fórum BRICS serve, assim, como espaço crucial para troca de experiências e construção de estratégias conjuntas entre nações que — despite suas diferenças — compartilham o desafio de combater a violência de gênero em meio a desigualdades profundas.

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JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.