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CCJ da Alerj aprova soltura de Rodrigo Bacellar

No Legislativo, a matemática pesa mais que a gravidade das acusações: quatro votos aliviam, 36 libertam — e o relógio corre.
O presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. Foto: Divulgação
O presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. Foto: Divulgação
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico

Jornalista do Diário Carioca.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, nesta terça-feira (6), o projeto que recomenda a soltura do presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União).

O placar foi apertado: quatro votos favoráveis e três contrários à revogação da prisão.

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A proposta segue agora para o plenário, onde será votada às 15h. Para que Bacellar deixe a custódia, é exigido o apoio mínimo de 36 deputados. O voto vencedor foi apresentado por Rodrigo Amorim (União), presidente da CCJ e aliado do parlamentar.

Formalismo jurídico em disputa
Líder do governo Cláudio Castro na Alerj, Amorim defendeu a revogação sustentando que a análise da comissão deveria se restringir à constitucionalidade da prisão, sem avançar sobre o mérito da decisão judicial. Segundo ele, a atuação foi técnica, descolada do contexto político do caso.

Votos contrários e divisão interna
A decisão, no entanto, acentuou a divisão. Elika Takimoto (PT) e Carlos Minc (PSB) votaram contra a soltura, argumentando que a gravidade das acusações justificaria a manutenção da prisão. Minc afirmou que a detenção é essencial para desarticular possíveis ramificações criminosas na Casa, enquanto Takimoto classificou o ambiente como de “tristeza institucional”.

Proposta alternativa e impasses
O deputado Luiz Paulo (PSD) sugeriu a criação de dois projetos: um tratando da manutenção da prisão e outro do afastamento de Bacellar da presidência. A proposta evidenciou o impasse entre medidas jurídicas e consequências políticas.

Prisão e acusações
A prisão de Rodrigo Bacellar foi autorizada pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, após a Polícia Federal apontar que o parlamentar teria vazado informações sigilosas e orientado o deputado TH Joias (MDB) a destruir provas ligadas a uma operação contra a facção Comando Vermelho.

Desde a última quarta-feira, Bacellar está detido na Superintendência da Polícia Federal no Rio, caso que repercutiu intensamente na Alerj e dividiu posições entre governistas e oposição.

Confronto na CCJ
Durante a votação, Alexandre Knoploch (PL) criticou a decisão do STF, alegando ausência de fundamentos como risco de fuga ou obstrução das investigações. Em meio às críticas, acusou Carlos Minc de fazer “palhaçada”, provocando um embate entre os dois.

Após o incidente, Rodrigo Amorim determinou a retirada do termo da ata da sessão, pedido aceito por Knoploch.

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