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JUDICIÁRIO

Supremo em curto-circuito: quando o juiz pergunta e a Polícia reage

Audiência do Banco Master expõe fricção institucional no STF e reacende debate sobre limites do poder investigativo.

Por JR Vital 30 de dezembro de 2025 | Atualizado em 30 de janeiro de 2026

JUDICIÁRIO – O rito escorreu pelos dedos da formalidade e revelou o nervo exposto de Brasília: quem investiga quando o Supremo decide falar demais?

“Quando as fronteiras do poder se confundem, a legalidade deixa de ser um mapa e vira um labirinto.”

O rito que emperrou logo na largada

A sessão começou com um tropeço protocolar: a acareação. Havia ordem formal para o confronto direto entre versões, mas um suposto recuo informal circulou sem despacho que o confirmasse. A Polícia Federal, fiel à letra do processo, sustentou o que estava escrito. O gabinete, pressionado pela urgência, apelou ao telefone. O ministro decidiu: primeiro, os depoimentos. A legalidade avançou, mas com o sinal amarelo aceso.

Esse tipo de improviso institucional não é novidade. A história republicana brasileira conhece bem os atalhos do poder — da República Velha aos expedientes excepcionais do século XX, sempre que a regra vacila, o método vira disputa.

Quando a pergunta vira poder

O segundo embate foi mais grave. Uma lista de perguntas surgiu, atribuída ao relator. A delegada reagiu: interrogar é função da Polícia, não do juiz. Novo telefonema. A orientação, segundo relatos, foi que os questionamentos fossem feitos “como se” partissem do ministro. A sutileza semântica não disfarçou o problema jurídico: quem pergunta, conduz.

Aqui, o paralelo histórico é inevitável. Em democracias maduras, o juiz é árbitro, não atacante. Quando o árbitro chuta a bola, o jogo perde credibilidade — lição conhecida desde os manuais do Estado de Direito pós-guerra.

POLíTICA

Análise & Contexto

Audiência do Banco Master expõe fricção institucional no STF e reacende debate sobre limites do poder investigativo.

A crítica que retorna ao Supremo

A atuação direta do relator reacendeu um debate antigo no próprio STF, já observado em outros inquéritos de grande visibilidade. A crítica não é pessoal, é institucional: aproximar o juiz do investigador dilui a separação de funções e abre flanco para nulidades e desconfiança pública.

Relatos indicam que perguntas tocaram na atuação do Banco Central no processo de liquidação do banco. Auxiliares sustentam que a pauta teria sido sugerida pela própria PF. O fato é que a autoria do roteiro virou disputa — e isso, por si, já é um sintoma.

Depoimentos, presencialidade e o peso do símbolo

Daniel Vorcaro falou. O ex-presidente do BRB, também. O diretor de Fiscalização do Banco Central aguardou presencialmente após pedido de videoconferência ser negado. A Corte alegou isonomia de forma. Em Brasília, o símbolo importa: estar presente é estar sob o olhar do poder.

No fim, a audiência avançou. A pergunta que ficou não é sobre um banco apenas, mas sobre o método. Democracias não ruem apenas por golpes; às vezes, se desgastam por confusões de papel.

Atualizado: 30 de dezembro de 2025, 23:00 | Notícia revisada e editada por JR Vital (MTB 0037673/RJ)

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