
JR VitalJR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha…
A reviravolta no caso da advogada e influencer argentina Agostina Páez marcou o fim da tarde desta sexta-feira (6). Horas após ser detida em Vargem Pequena, a ré por injúria racial teve sua soltura determinada pela 37ª Vara Criminal da Capital — a mesma instância que havia decretado sua prisão preventiva. O caso, que gerou indignação após vídeos de ofensas racistas em um bar de Ipanema viralizarem, segue agora com a acusada em liberdade, sob rígidas restrições judiciais.
A Cronologia da Prisão e Soltura
A detenção de Agostina ocorreu após a Justiça aceitar a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). A promotoria baseou o pedido de prisão no risco de fuga e no comportamento reiterado da advogada, que teria repetido as ofensas mesmo após advertida sobre a ilegalidade da conduta no Brasil.
Apesar da ordem de soltura expedida no início da noite, Agostina chegou a ser encaminhada para o exame de corpo de delito no IML, procedimento padrão antes da transferência para o presídio de Benfica, pois o oficial de Justiça ainda não havia chegado à 11ª DP (Rocinha) até as 19h20.
Medidas Cautelares e Defesa
A liberdade de Agostina está condicionada a uma série de regras impostas pelo tribunal:
Análise & Contexto
- Uso de tornozeleira eletrônica: O monitoramento deve ser mantido de forma ininterrupta.
- Proibição de saída do país: A ré está impedida de retornar à Argentina ou viajar ao exterior.
- Comparecimento em juízo: Deverá se apresentar sempre que for intimada para os atos do processo.
O advogado Ezequiel Roitman, que representa a influencer, destacou que sua cliente sempre colaborou com as autoridades e que “nunca quis se evadir ou intimidar testemunhas”.
Relembre o Caso: Ofensas e “Macaco”
O crime ocorreu no dia 14 de janeiro em um bar na Zona Sul. De acordo com a denúncia do MPRJ:
- Agostina teria se dirigido a um funcionário de forma pejorativa usando o termo “negro”.
- Ao sair do local, teria gritado a palavra “mono” (macaco, em espanhol) e imitado gestos do animal.
- Mesmo após o início da confusão, ela teria retornado com ofensas como “negros de m…”.
A argentina nega as acusações de racismo, alegando que os gestos seriam uma “brincadeira” interna com amigas. Em vídeos postados nas redes sociais antes de ser detida, ela declarou estar “morrendo de medo” e desesperada com a repercussão do caso.
Takeaways
- Soltura: A Justiça reverteu a prisão preventiva no mesmo dia da execução do mandado.
- Crime: Injúria racial é inafiançável no Brasil e prevê pena de 2 a 5 anos de reclusão.
- Restrições: Agostina permanece sob monitoramento eletrônico.
- Contexto: O vídeo dos gestos de “macaco” foi a prova crucial apresentada pela Polícia Civil.





