
✅ Aposta registrada em 20 de dezembro, quando Bolsonaro já estava sob custódia da PF
✅ Quadra na Mega da Virada rende R$ 216,76
✅ Número 13, historicamente ligado ao PT, integra o bilhete
✅ Informação divulgada pelo irmão, Renato Bolsonaro
✅ Caso ocorre em meio ao cumprimento de pena e a negativas de prisão domiciliar
Nem a prisão parece afastar Jair Bolsonaro do teatro simbólico da política brasileira. Desta vez, o roteiro veio da loteria. Segundo o irmão do ex-presidente, Bolsonaro participou de um bolão da Mega-Sena da Virada enquanto estava preso e acertou a quadra — um prêmio modesto em dinheiro, mas carregado de significados num país que transforma coincidências em narrativa.
Paralelo Histórico/Literário
Do “jogo do bicho” na República Velha às superstições eleitorais da redemocratização, o Brasil sempre misturou sorte, poder e crença. Como em Machado de Assis, o acaso raramente é apenas acaso: ele serve para revelar as obsessões de uma sociedade.
“No Brasil, até a loteria vira discurso político — e o acaso nunca anda sozinho.”
O bilhete e a ironia
Renato Bolsonaro afirmou que a aposta foi feita em conjunto com o ex-presidente e com Mosart Aragão Pereira, ex-assessor de Bolsonaro. Os três acertaram quatro dos seis números sorteados, entre eles o 13, cifra eternamente associada ao PT e às campanhas de Lula. O bilhete, divulgado nas redes sociais, confirma o registro em dezembro, período em que Bolsonaro já estava sob custódia da Polícia Federal.
O prêmio individual da quadra na Mega da Virada é de R$ 216,76. Ao todo, mais de 308 mil apostas foram contempladas nessa faixa, segundo a Caixa Econômica Federal. Não há, portanto, excepcionalidade financeira — apenas simbólica.
Análise & Contexto
Hospital, prisão e rotina judicial
No dia do sorteio, Bolsonaro estava internado em um hospital de Brasília, onde havia dado entrada em 24 de dezembro para cirurgias e tratamento de crises persistentes de soluço. Recebeu alta na própria quinta-feira (1º) e retornou à Superintendência da Polícia Federal, onde cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes.
A defesa tentou mantê-lo internado até a análise definitiva de um pedido de prisão domiciliar humanitária. O pedido foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes, que ressaltou a ausência de fatos novos e a melhora do quadro clínico após procedimentos eletivos.
A decisão do STF
Ao rejeitar a domiciliar, Moraes foi direto: os laudos médicos indicam evolução positiva, e todas as prescrições podem ser cumpridas dentro da estrutura da Polícia Federal, que dispõe de plantão médico e acesso a profissionais indicados pela defesa. O ministro também reiterou que permanecem os fundamentos para a prisão, citando descumprimentos reiterados de medidas cautelares e atos concretos voltados à fuga, como a destruição dolosa da tornozeleira eletrônica.
Cena final
Antes da alta hospitalar, a passagem de Michelle Bolsonaro pelo local foi recebida por um pequeno grupo de apoiadores, com bandeiras do Brasil, palavras de ordem contra Lula e até uma bandeira de Israel — um mosaico já conhecido do bolsonarismo residual.
No fim, o episódio da Mega da Virada não altera a situação jurídica do ex-presidente, nem seu destino político imediato. Mas adiciona mais uma camada ao personagem: preso, derrotado nas urnas e agora premiado pela sorte mínima — com o número que mais combateu.





