
JR VitalJR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha…
Quando impérios se movem, as periferias reagem. A leitura é de Erick Langer, professor de História da Universidade de Georgetown, ao avaliar o pós-Maduro e o alcance regional de Donald Trump. Para o acadêmico, a operação que levou ao sequestro do presidente venezuelano não é um ponto fora da curva, mas um prelúdio: a estratégia americana seguiria orientada à captura de ativos — sobretudo petróleo — ainda que o custo social seja “mais do mesmo sofrimento para o povo venezuelano”.
Langer sustenta que o interesse de Washington independe do regime e pode, inclusive, reconfigurar preferências internas na Venezuela. Em vez de líderes com capital popular e margem de autonomia, a Casa Branca tenderia a apostar em quadros mais dóceis à agenda de abertura e controle. O critério não seria a democracia; seria a governabilidade para fora.
Do “quintal” à colônia econômica
A história latino-americana conhece esse roteiro. Da Doutrina Monroe às intervenções do século XX, a promessa de estabilidade costuma esconder a lógica do extrativismo. Langer afirma que o projeto contemporâneo atualiza o velho script: transformar países em plataformas de produção para interesses externos, com verniz institucional.
“Interferência externa raramente convence; quase sempre mobiliza.”
Análise & Contexto
Brasil como contrapeso
É nesse ponto que o diagnóstico toca o Brasil. Segundo Langer, tentativas de interferência eleitoral por parte de Trump tenderiam a produzir o efeito inverso do desejado. Ao acionar o sentimento nacional, a ingerência externa vira munição simbólica para forças que se apresentam como defensoras da soberania. O resultado provável, avalia, é o enfraquecimento da direita alinhada a Washington.
O professor cita exemplos recentes de apoio financeiro e diplomático norte-americano a governos ideologicamente próximos — como o caso argentino — para ilustrar o risco de reação doméstica. No Brasil, diz, a escala importa: o país seria “grande o suficiente” para impor limites e dizer “chega”.
Calma como estratégia
Na avaliação do historiador, a postura contida do governo brasileiro diante do episódio venezuelano opera como ativo político. Ao evitar o espetáculo e a escalada retórica, o Brasil preserva margem de manobra e sustenta uma imagem de potência moderadora. Se essa linha se mantiver, conclui Langer, o nacionalismo seguirá como força de contenção contra investidas externas — e não como combustível para aventuras.





