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Bolsonaro não teve dano neurológico após queda na prisão, aponta laudo oficial

Relatório médico solicitado por Alexandre de Moraes desmonta tentativa de dramatização e mantém o ex-presidente sob custódia, sem urgência hospitalar.

Por JR Vital 7 de janeiro de 2026 | Atualizado em 28 de janeiro de 2026

A cena é conhecida do imaginário político brasileiro: um líder acuado, cercado de simbolismos, tenta transformar o banal em épico. Na manhã desta terça-feira (6), Jair Bolsonaro não era um mártir, nem um paciente grave — era apenas um preso que caiu na cela. O laudo médico elaborado pela Polícia Federal, a pedido do Supremo Tribunal Federal, foi direto: consciente, orientado e sem qualquer sinal de déficit neurológico.

A solicitação partiu da defesa, que pleiteava exames em hospital particular. Alexandre de Moraes respondeu com o método que o caracteriza: exigiu dados, laudos e precisão. Diante das informações iniciais, descartou a necessidade de remoção imediata, mas determinou o envio do relatório completo e a descrição exata dos procedimentos pretendidos pelos advogados.

A medicina como antídoto ao teatro

A avaliação médica registra apenas ferimentos superficiais e um leve desequilíbrio ao permanecer em pé — nada que sustente a narrativa de urgência. Mobilidade e sensibilidade estavam preservadas, sem sinais clínicos relevantes. Ainda assim, Bolsonaro relatou tontura e episódios de soluços intensos durante a noite, sintomas usados pela defesa para reforçar o pedido de exames complementares, inclusive de atividade elétrica cerebral.

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Relatório médico solicitado por Alexandre de Moraes desmonta tentativa de dramatização e mantém o ex-presidente sob custódia, sem urgência hospitalar.

Despacho de Moraes. Foto: Reprodução
Despacho de Moraes. Foto: Reprodução

Entre o fato e a fábula

Desde a Antiguidade, líderes em queda tentam converter fragilidade em redenção. Júlio César, em Shakespeare, transforma cada golpe em discurso; Napoleão, no exílio, escreve cartas como quem reescreve a própria glória. No Brasil de 2026, a liturgia é outra: laudos substituem oráculos, e a ciência, seca e objetiva, dissolve o mito antes que ele se forme.

“Quando o poder cai, o corpo vira argumento — mas a verdade clínica não aceita metáforas.”

O despacho final sobre exames fora da unidade prisional ainda caberá a Moraes. Até lá, o que existe não é um drama humanitário, mas um procedimento padrão sob vigilância do Estado de Direito. A tentativa de transformar um tombo em símbolo encontra limite na realidade documentada — e na institucionalidade que Bolsonaro tantas vezes tentou deslegitimar.

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