
RIO DE JANEIRO, 03 de fevereiro de 2026 – O xadrez comercial entre a União Europeia e o Mercosul ganhou um lance de mestre — ou de desespero — nesta segunda-feira. O chanceler alemão, Friedrich Merz, em uma demonstração clara de que a paciência de Berlim com os entraves internos de Bruxelas se esgotou, defendeu abertamente a entrada em vigor provisória do tratado comercial. A estratégia ignora a longa fila de espera para o crivo do Tribunal de Justiça da UE, expondo a urgência germânica em diversificar mercados e garantir matérias-primas em um cenário de 2026 marcado por cadeias de suprimentos ainda instáveis e a hegemonia tecnológica sino-americana.
O fim da diplomacia de salão Merz, cujo governo tem sido pautado por um realismo econômico agressivo, foi enfático ao afirmar que as tentativas de “último minuto” para barrar a ratificação no Parlamento Europeu estão destinadas ao fracasso. O tom seco do chanceler revela o isolamento da França, que sob pressão de seus agricultores, tentou até o último segundo erguer barreiras ambientais e sanitárias para proteger o mercado local. Para Merz, o tempo da retórica diplomática acabou. O chanceler entende que a Europa não pode mais se dar ao luxo de ser um museu regulatório enquanto o resto do globo redefine suas rotas comerciais.
Perspectivas Editoriais
Engrenagem sul-americana A implementação provisória proposta por Berlim é um artifício jurídico previsto na arquitetura de tratados da UE, que permite que a parte comercial do acordo seja executada após a aprovação do Conselho Europeu e de apenas um dos parlamentos sul-americanos. Com o Brasil e o Paraguai acelerando seus processos internos no início deste ano, o caminho está pavimentado. Para o setor industrial alemão, a abertura do mercado sul-americano não é apenas uma oportunidade de lucro, mas uma necessidade existencial para manter a competitividade de suas exportações em 2026.
O fantasma do Tribunal de Justiça A menção direta ao Tribunal de Justiça da UE por Merz não foi por acaso. O chanceler sabe que o processo jurídico pode se arrastar por anos. Ao defender a vigência provisória, ele cria um fato consumado. Se o acordo já estiver operando, as relações comerciais criadas gerarão uma inércia econômica difícil de ser revertida por canetadas burocráticas em Luxemburgo. É a vitória do fato econômico sobre a forma jurídica, um reflexo do novo pragmatismo que Friedrich Merz impôs ao coração da Europa.
O Acordo UE-Mercosul em 2026
1. O que significa a “entrada em vigor provisória” defendida por Merz? Permite que os pilares comerciais do acordo (redução de tarifas e cotas) comecem a valer antes da ratificação completa por todos os estados-membros da UE, dependendo apenas do aval do Parlamento Europeu e do Conselho.
2. Por que a Alemanha está pressionando tanto pelo acordo agora? Em 2026, a Alemanha enfrenta uma concorrência acirrada com a China e os EUA. O Mercosul oferece acesso a recursos críticos, como lítio e hidrogênio verde, vitais para a transição industrial alemã.
3. Qual é o papel da França nesse impasse? A França lidera o bloco protecionista, usando justificativas ambientais para retardar o acordo e proteger seus produtores de carne e grãos da concorrência sul-americana.
4. O Tribunal de Justiça da UE pode anular o acordo? Pode, mas o processo é lento. Merz aposta que, até que uma decisão saia, os benefícios econômicos já estarão consolidados, tornando uma reversão politicamente custosa.
5. Quais países do Mercosul são prioridade para a ratificação? Brasil e Paraguai são vistos como os elos mais ágeis no momento, sendo fundamentais para destravar a cláusula de implementação provisória exigida por Berlim.





