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México nega “Narcoestado”: Claudia Sheinbaum rebate acusações de Donald Trump e reafirma controle civil em 2026

Em meio a tensões sobre segurança na fronteira e a herança do caso García Luna, a presidente mexicana defende sua estratégia de "atendimento às causas" e ironiza falhas de inteligência da Casa Branca.

4 de fevereiro de 2026

A retórica de confronto entre os dois maiores vizinhos da América do Norte atingiu um novo ápice nesta quarta-feira (4). Durante sua conferência matinal, a presidente do México, Claudia Sheinbaum Pardo, disparou uma resposta direta e institucional às recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O líder norte-americano tem reiterado a tese de que o México é governado por cartéis do crime organizado — uma narrativa que serve de base para propostas de intervenção e tarifas comerciais em 2026. “É falso que cartéis governem o México”, afirmou Sheinbaum. “No México governa um único ente: o povo de México. Ninguém mais.”

A defesa da soberania mexicana não se limitou ao discurso emocional. Sheinbaum utilizou a ironia histórica para descredibilizar os relatórios de inteligência de Washington. Ao citar publicações da Casa Branca que alegavam conivência das autoridades com o tráfico, ela lembrou que a maior “prova” apresentada pelos EUA foi a condenação de Genaro García Luna, ex-secretário de Segurança. No entanto, o erro cronológico foi o ponto central de seu contra-ataque: García Luna serviu entre 2006 e 2012. “Se equivocaram por cerca de 12 anos na hora de fazer o apontamento”, ironizou a mandatária, marcando uma clara distinção entre as administrações passadas e a atual gestão da chamada “Quarta Transformação”.

No campo operacional, Sheinbaum apresentou dados para sustentar sua “estratégia de paz”. Apesar da crise de violência detonada em Sinaloa após a captura e extradição nebulosa de Ismael “El Mayo” Zambada em 2024, a presidente assegurou que os homicídios dolosos na região entraram em trajetória de queda. Ela atribuiu o sucesso à focalização em causas sociais e à inteligência militar, visando proteger civis durante as pugnas internas dos grupos criminosos. Para o governo mexicano, o foco não deve ser a militarização imposta de fora, mas o fortalecimento das instituições nacionais e a cooperação bilateral baseada no respeito mútuo, um equilíbrio que parece cada vez mais frágil neste início de 2026.

Takeaways:

  • Claudia Sheinbaum nega categoricamente que cartéis governem o México.
  • A presidente rebateu acusações de Trump sobre alianças entre governo e crime.
  • O caso Genaro García Luna foi usado para expor anacronismos da Casa Branca.
  • Governo mexicano relata redução de homicídios em Sinaloa após crise do “Mayo” Zambada.
  • A estratégia de segurança mexicana prioriza o “atendimento às causas” sociais.
  • México exige respeito à soberania em face das ameaças de intervenção de Trump.

Fatos-chave:

  • Declaração feita durante a conferência “mañanera” em 4 de fevereiro de 2026.
  • Donald Trump mantém narrativa de “narcoestado” para justificar políticas de fronteira.
  • Ismael “El Mayo” Zambada foi detido e levado aos EUA em julho de 2024.
  • García Luna (2006-2012) é a figura central de condenações por narcotráfico nos EUA.
  • Captura recente de “El Sapo”, do Cártel del Golfo, reforça discurso de eficiência do governo.
  • Sheinbaum defende o uso de inteligência para evitar danos colaterais a civis.
  • Tensão bilateral ocorre em ano de revisão de acordos comerciais e de segurança.
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