
O contexto global marcado pela rápida evolução tecnológica implica que a Europa esteja preparada para apostar na transformação digital. Afinal, as competências digitais dos cidadãos europeus são essenciais para o crescimento económico do continente, além de fomentarem a inclusão social e reforçarem a posição da Europa.
O objetivo da União Europeia é ter 80% da população adulta com competências digitais básicas até 2030. A intenção passa também por contar com 20 milhões de especialistas digitais no mercado de trabalho. Assim, seria possível adaptar a força de trabalho europeia às exigências futuras.
Perspectivas Editoriais
Apesar destes objetivos, existem lacunas ao nível das competências dos trabalhadores europeus, mas também noutros domínios. As desigualdades territoriais, a falta de coordenação entre iniciativas públicas e privadas e as diferenças sociais aumentam os desafios.
Entenda o que está a ser feito para preparar a força de trabalho do futuro e qual a estratégia digital europeia em curso.
Que esforços estão a ser feitos para melhorar a literacia digital na Europa?
A União Europeia tem recorrido a diversos programas e iniciativas para desenvolver as competências digitais dos trabalhadores. A abordagem não passa apenas pelo financiamento, mas também pelo incentivo a políticas educativas renovadas e pela promoção da inclusão social.
As estratégias em curso pretendem a formação contínua dos trabalhadores, para que estejam preparados para as exigências do futuro digital e reforcem a competitividade europeia.
Além de prever que 80% da população adulta tenha competências digitais até 2030, o programa Década Digital também visa o desenvolvimento das empresas. Estão estipuladas as seguintes metas: 75% das empresas da UE devem utilizar a computação em nuvem, IA ou Big Data; o financiamento para duplicar os “unicórnios” da UE; mais de 90% das PME com, pelo menos, um nível básico de intensidade digital. Existe ainda o objetivo de digitalizar os serviços públicos na sua totalidade.
Estão também em curso outras iniciativas, nomeadamente um plano para a formação de docentes e a modernização do currículo escolar.
O Programa Europa Digital é outra iniciativa para apoiar a transformação digital, com um orçamento de 8,1 mil milhões de euros para o período de 2021-2027. Os objetivos são financiar ações de diversas áreas digitais e apoiar a requalificação profissional para ajustar o mercado de trabalho e ajudar na recuperação económica.
Existem ainda outras iniciativas em andamento, como políticas específicas para grupos vulneráveis, nomeadamente através do investimento na literacia digital básica e melhoria do acesso à internet. A somar a isto, está o papel de cada governo em responder às necessidades atuais, em colaboração com empresas e instituições de ensino.
Os principais desafios no mercado digital europeu
Apesar dos esforços desenvolvidos pela União Europeia, a transição digital acarreta vários desafios e riscos, que podem colocar em causa o desenvolvimento sustentável das competências dos cidadãos.
Existem desigualdades no grau de competências dos indivíduos. Apesar da meta ambiciosa de 80% da população adulta com competências digitais básicas, atualmente, apenas cerca de 55,6% detêm essas competências. As últimas projeções apontam que o número rondará os 60% em 2030.
O continente europeu enfrenta ainda disparidades no que toca ao acesso a infraestruturas digitais e formação. Os mais prejudicados são mulheres, idosos, pessoas com deficiência e quem vive em zonas rurais.
Os sistemas educativos também não acompanham o ritmo da transformação digital. Outros dos desafios prendem-se com as questões regulatórias e a dificuldade em canalizar os fundos europeus para iniciativas eficazes.
Em linha com a União Europeia: a realidade portuguesa
Portugal está alinhado com a União Europeia e reconhece a importância do desenvolvimento das competências digitais para capacitar a sua força de trabalho e assegurar a competitividade do país, assim como reforçar a inclusão dos cidadãos.
O governo português tem em curso a Estratégia Digital Nacional, que é coerente com as prioridades e objetivos do quadro europeu. No entanto, ainda existe um longo caminho pela frente, tendo em conta que apenas cerca de 56% dos portugueses adultos têm competências digitais básicas, segundo dados de 2023.
Efetivamente, o fosso digital é uma realidade em Portugal. Ao contrário da população mais idosa, que ainda oferece resistência ou tem menos acesso a inovações digitais, a população mais jovem tem facilidade em recorrer a novas tecnologias. Por exemplo, os jovens utilizam o MB Way para transações financeiras, têm facilidade de comunicação nas redes sociais, como o caso do Instagram, exploram áreas de entretenimento, através de sites de desporto ou de casino online.
Atualmente, têm sido canalizados recursos financeiros para a formação de docentes e para a adaptação dos programas escolares. Existem ainda outras ações, como parcerias com empresas de tecnologia e entidades públicas e privadas.
Trabalhadores aprovam: o papel da IA na transformação digital na Europa
A Inteligência Artificial (IA) é um dos motores da transformação digital em curso na Europa. A IA está a transformar o dia a dia das empresas, independentemente do setor. A Europa tem acompanhado a necessidade de atualizar as competências da sua força de trabalho para corresponder à revolução tecnológica e já dispõe de uma oferta de programas educativos.
Cerca de 62% dos europeus olham para a IA e para a automação como elementos positivos no trabalho. Contudo, ainda levantam questões, tais como a privacidade e a transparência. Os princípios éticos, o papel do pensamento crítico e a colaboração entre equipas de trabalho são outras das preocupações no seio do mercado de trabalho europeu.
Apesar de as previsões apontarem que a utilização de IA irá aumentar a produtividade, surgem diversos desafios com esta ferramenta. Porém, a UE pretende estar na linha da frente e tem investido em academias digitais e na legislação das políticas de inclusão da IA no trabalho. Esta transição, que combina inovação tecnológica com preocupações sociais e éticas, tem gerado discussão em diversos meios especializados e generalistas, como o Diário Carioca, que acompanha de perto os impactos da digitalização no mercado de trabalho global.





