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O impulso da Europa para as competências digitais:  preparar a força de trabalho do futuro 

Qual é o estado das competências digitais dos trabalhadores europeus? Entenda como está a ser incentivada a força de trabalho do futuro na Europa.

4 de fevereiro de 2026

O contexto global marcado pela rápida evolução tecnológica implica que a Europa esteja preparada para apostar na transformação digital. Afinal, as competências digitais dos cidadãos  europeus são essenciais para o crescimento económico do continente, além de fomentarem a inclusão social e reforçarem a posição da Europa.

O objetivo da União Europeia é ter 80% da população adulta com competências digitais  básicas até 2030. A intenção passa também por contar com 20 milhões de especialistas  digitais no mercado de trabalho. Assim, seria possível adaptar a força de trabalho europeia  às exigências futuras. 

Apesar destes objetivos, existem lacunas ao nível das competências dos trabalhadores  europeus, mas também noutros domínios. As desigualdades territoriais, a falta de  coordenação entre iniciativas públicas e privadas e as diferenças sociais aumentam os  desafios. 

Entenda o que está a ser feito para preparar a força de trabalho do futuro e qual a estratégia  digital europeia em curso. 

Que esforços estão a ser feitos para melhorar a literacia digital na  Europa? 

A União Europeia tem recorrido a diversos programas e iniciativas para desenvolver as  competências digitais dos trabalhadores. A abordagem não passa apenas pelo financiamento,  mas também pelo incentivo a políticas educativas renovadas e pela promoção da inclusão  social. 

As estratégias em curso pretendem a formação contínua dos trabalhadores, para que estejam  preparados para as exigências do futuro digital e reforcem a competitividade europeia. 

Além de prever que 80% da população adulta tenha competências digitais até 2030, o  programa Década Digital também visa o desenvolvimento das empresas. Estão estipuladas as  seguintes metas: 75% das empresas da UE devem utilizar a computação em nuvem, IA ou Big  Data; o financiamento para duplicar os “unicórnios” da UE; mais de 90% das PME com, pelo  menos, um nível básico de intensidade digital. Existe ainda o objetivo de digitalizar os serviços  públicos na sua totalidade.  

Estão também em curso outras iniciativas, nomeadamente um plano para a formação de  docentes e a modernização do currículo escolar. 

O Programa Europa Digital é outra iniciativa para apoiar a transformação digital, com um  orçamento de 8,1 mil milhões de euros para o período de 2021-2027. Os objetivos são  financiar ações de diversas áreas digitais e apoiar a requalificação profissional para ajustar o mercado de trabalho e ajudar na recuperação económica. 

Existem ainda outras iniciativas em andamento, como políticas específicas para grupos  vulneráveis, nomeadamente através do investimento na literacia digital básica e melhoria do  acesso à internet. A somar a isto, está o papel de cada governo em responder às necessidades  atuais, em colaboração com empresas e instituições de ensino. 

Os principais desafios no mercado digital europeu 

Apesar dos esforços desenvolvidos pela União Europeia, a transição digital acarreta vários  desafios e riscos, que podem colocar em causa o desenvolvimento sustentável das  competências dos cidadãos.  

Existem desigualdades no grau de competências dos indivíduos. Apesar da meta ambiciosa de  80% da população adulta com competências digitais básicas, atualmente, apenas cerca de  55,6% detêm essas competências. As últimas projeções apontam que o número rondará os  60% em 2030

O continente europeu enfrenta ainda disparidades no que toca ao acesso a infraestruturas  digitais e formação. Os mais prejudicados são mulheres, idosos, pessoas com deficiência e  quem vive em zonas rurais. 

Os sistemas educativos também não acompanham o ritmo da transformação digital. Outros  dos desafios prendem-se com as questões regulatórias e a dificuldade em canalizar os fundos  europeus para iniciativas eficazes. 

Em linha com a União Europeia: a realidade portuguesa 

Portugal está alinhado com a União Europeia e reconhece a importância do desenvolvimento  das competências digitais para capacitar a sua força de trabalho e assegurar a competitividade  do país, assim como reforçar a inclusão dos cidadãos. 

O governo português tem em curso a Estratégia Digital Nacional, que é coerente com as  prioridades e objetivos do quadro europeu. No entanto, ainda existe um longo caminho pela  frente, tendo em conta que apenas cerca de 56% dos portugueses adultos têm competências digitais básicas, segundo dados de 2023. 

Efetivamente, o fosso digital é uma realidade em Portugal. Ao contrário da população mais  idosa, que ainda oferece resistência ou tem menos acesso a inovações digitais, a população  mais jovem tem facilidade em recorrer a novas tecnologias. Por exemplo, os jovens utilizam o  MB Way para transações financeiras, têm facilidade de comunicação nas redes sociais, como  o caso do Instagram, exploram áreas de entretenimento, através de sites de desporto ou de  casino online. 

Atualmente, têm sido canalizados recursos financeiros para a formação de docentes e para a  adaptação dos programas escolares. Existem ainda outras ações, como parcerias com  empresas de tecnologia e entidades públicas e privadas.  

Trabalhadores aprovam: o papel da IA na transformação digital na  Europa 

A Inteligência Artificial (IA) é um dos motores da transformação digital em curso na Europa. A  IA está a transformar o dia a dia das empresas, independentemente do setor. A Europa tem  acompanhado a necessidade de atualizar as competências da sua força de trabalho para  corresponder à revolução tecnológica e já dispõe de uma oferta de programas educativos. 

Cerca de 62% dos europeus olham para a IA e para a automação como elementos positivos  no trabalho. Contudo, ainda levantam questões, tais como a privacidade e a transparência.  Os princípios éticos, o papel do pensamento crítico e a colaboração entre equipas de trabalho  são outras das preocupações no seio do mercado de trabalho europeu. 

Apesar de as previsões apontarem que a utilização de IA irá aumentar a produtividade, surgem  diversos desafios com esta ferramenta. Porém, a UE pretende estar na linha da frente e tem  investido em academias digitais e na legislação das políticas de inclusão da IA no trabalho. Esta transição, que combina inovação tecnológica com preocupações sociais e éticas, tem gerado discussão em diversos meios especializados e generalistas, como o Diário Carioca, que  acompanha de perto os impactos da digitalização no mercado de trabalho global.

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