
Janeiro como método, não exceção
Janeiro de 2026 não foi um desvio estatístico, mas um laboratório de controle informativo. O balanço divulgado pelo Colegio Nacional de Periodistas (CNP) revela um padrão reiterado de detenções arbitrárias, expulsões de correspondentes estrangeiros e bloqueios sistemáticos ao acesso à informação. O dado central não é o volume, mas a coordenação.
Detenções performáticas e liberação calculada
Dezesseis jornalistas foram detidos durante a instalação da Assembleia Nacional, em 5 de janeiro. A posterior liberação não configura recuo, mas pedagogia do medo: a mensagem é que o Estado pode prender quando quiser e soltar quando convier, mantendo o trauma como mecanismo dissuasório.
Perspectivas Editoriais
A judicialização como nova cela
A chamada “liberdade vigiada” substitui a prisão física por um cerco processual contínuo. Restrições de mobilidade, apresentações periódicas em tribunais e ameaças latentes funcionam como extensão da pena, corroendo a prática jornalística cotidiana.
Rádio sob ataque administrativo
Mesmo após a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro, a censura não arrefeceu. O fechamento das emissoras Impacto 105.3 (Táchira) e Unika 92.1 FM (Caracas) indica que o controle da narrativa local segue prioridade estratégica.
Saúde como variável de repressão
O caso do jornalista Ramón Centeno expõe o uso indireto da saúde como instrumento de punição. Excarcerado, mas impedido de realizar cirurgia urgente, ele permanece sob tutela judicial que inviabiliza sua recuperação plena.
O alerta interamericano ignorado
A Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos classifica essas práticas como extensão do castigo estatal. Caracas ignora o alerta e normaliza o abuso.
Takeaways
- Janeiro consolidou um modelo de repressão informativa
- Liberdade provisória virou ferramenta de intimidação
- Censura administrativa substitui tanques por carimbos
- Saúde de jornalistas tornou-se variável de coerção
Fatos-chave
- 16 detenções arbitrárias em janeiro
- 15 jornalistas estrangeiros expulsos
- 14 bloqueios ao acesso à informação
- 10 remoções forçadas de arquivos
- 7 casos de hostigamento direto
- 2 rádios fechadas administrativamente
FAQs
Por que janeiro de 2026 é considerado um marco?
Porque consolidou múltiplas formas coordenadas de repressão.
A liberação dos jornalistas indica recuo?
Não, indica uso estratégico do medo.
A censura diminuiu após a captura de Maduro?
Não, manteve-se ativa por vias administrativas.





