Brasília, 23 de julho de 2025 — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com Claudia Sheinbaum, presidenta do México, e propôs ampliar o acordo comercial entre os dois países.
Cooperação além das formalidades
O contato entre Lula e Sheinbaum, ocorrido nesta quarta-feira, marca mais um passo no reposicionamento geopolítico da América Latina. O presidente brasileiro agradeceu a presença do chanceler mexicano na Cúpula do BRICS, realizada no Rio de Janeiro, e reiterou o interesse do Brasil em estreitar os laços com o México em áreas estratégicas.
Além de acordarem a visita do vice-presidente Geraldo Alckmin ao México nos dias 27 e 28 de agosto, ambos os líderes discutiram formas de expandir o comércio bilateral e fortalecer cadeias produtivas. O anúncio da viagem de Alckmin — que levará empresários e ministros — é um gesto concreto de articulação entre governos progressistas comprometidos com a reindustrialização, a soberania energética e o combate à desigualdade.
Acordo em expansão: setores estratégicos à mesa
A proposta de Lula de iniciar negociações para um novo acordo comercial bilateral reflete o reconhecimento de que o atual volume de trocas está aquém do potencial conjunto.
Entre os setores destacados como prioritários para cooperação estão:
- Indústria farmacêutica
- Agropecuária
- Etanol e biodiesel
- Indústria aeroespacial
- Inovação tecnológica
- Educação e intercâmbio científico
O alinhamento entre as pautas de ambos os governos — com foco na transição energética, desenvolvimento sustentável e inclusão social — impulsiona um ambiente fértil para pactos estruturantes e de longo prazo.
Números que importam: comércio em ascensão
Em 2023, Brasil e México movimentaram US$ 14,1 bilhões em comércio bilateral. O México ocupa hoje o sexto lugar entre os maiores parceiros comerciais do Brasil, sendo o quinto maior destino das exportações brasileiras.
As vendas do Brasil para o México saltaram de US$ 4,8 bilhões em 2019 para US$ 8,5 bilhões em 2023, um crescimento de 74% mesmo diante da pandemia.
Apesar disso, o México ainda representa apenas 2,5% das exportações brasileiras — proporção semelhante à do Chile. Em contrapartida, os produtos mexicanos compõem 2,3% das importações do Brasil, que comprou US$ 5,5 bilhões do país em 2023, um aumento de 4,9% em relação ao ano anterior.
BRICS: cenário para a reinvenção do Sul Global
A interlocução entre Lula e Sheinbaum ocorreu à sombra do novo protagonismo dos BRICS, agora com o Brasil na presidência rotativa do bloco. A gestão brasileira defende como lema “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global por uma Governança mais Inclusiva e Sustentável” — sinalizando um esforço explícito de reorganização do poder mundial.
O grupo responde por:
- 39% do PIB global (PPC)
- 24% das transações comerciais globais
- 48,5% da população mundial
- 36% da área terrestre do planeta
Também concentra:
- 72% das reservas de terras raras
- 43,6% da produção mundial de petróleo
- 36% da extração de gás natural
- 78,2% da geração de carvão mineral
A política externa brasileira, com Lula à frente, resgata o papel do país como articulador entre continentes e promotor de uma agenda contra-hegemônica.
Cooperação para além do mercado
Ao assumir a presidência do BRICS em janeiro de 2025, o Brasil estabeleceu seis prioridades em dois eixos principais — Cooperação do Sul Global e Parcerias para o Desenvolvimento Social, Econômico e Ambiental.
As metas centrais da gestão brasileira incluem:
- Fortalecer os sistemas públicos de saúde
- Estimular o comércio e o financiamento alternativo
- Combater os impactos das mudanças climáticas
- Regular a inteligência artificial sob perspectiva humanista
- Reformar instituições multilaterais
- Aprimorar a governança interna dos BRICS
Perguntas e Respostas
O que Lula e Sheinbaum discutiram no telefonema?
A ampliação do comércio bilateral, a visita de Geraldo Alckmin ao México e a cooperação em áreas estratégicas como energia, inovação e educação.
Quando será a visita da comitiva brasileira ao México?
Nos dias 27 e 28 de agosto, com participação de empresários e ministros.
Qual a importância econômica do México para o Brasil?
O México é o sexto principal parceiro comercial do Brasil e o quinto maior comprador de produtos brasileiros.
Por que Lula propôs ampliar o acordo comercial?
Apesar do crescimento do comércio, o México ainda representa uma parcela pequena das exportações brasileiras. A ampliação do acordo visa mudar esse quadro.
Como os BRICS influenciam essa relação?
A presença do México na Cúpula do BRICS e a presidência brasileira do bloco reforçam a integração regional e a construção de uma nova ordem multipolar.

