O mercado de câmbio, esse termômetro da ansiedade global, registrou nesta terça-feira uma queda que rompeu marcas históricas recentes.
O dólar encerrou o pregão cotado a R$ 5,2056 — um valor que não visitávamos desde os idos de maio de 2024.
Mas que ninguém se engane nos corredores do poder em Brasília: esta não é uma vitória da nossa política doméstica, mas sim o resultado de um terremoto financeiro cujo epicentro reside no Sol Nascente.
O Iene como fiel da balança
A gênese deste recuo reside na movimentação agressiva das autoridades japonesas. Após o iene ultrapassar a barreira psicológica de 150 por dólar — um patamar de desvalorização que beirava o insustentável para a terceira maior economia do mundo —, o Federal Reserve de Nova York entrou em cena. Rumores de uma intervenção cambial coordenada entre os EUA e o Japão fizeram o que nenhum discurso político brasileiro conseguiria: forçaram um rearranjo global de posições.
O fim da hegemonia momentânea
O índice DXY, a régua que mede a arrogância da divisa americana frente a uma cesta de moedas fortes, recuou 0,82%. O que assistimos é o enfraquecimento de um gigante que, confrontado pela necessidade de estabilidade no Japão e pela valorização consistente do euro, precisou recuar.
A dissolução do Parlamento pela primeira-ministra Sanae Takaichi trouxe a incerteza necessária para que o mercado recalibrasse suas apostas, transformando o pânico em uma valorização técnica das moedas periféricas, como o real.
A falsa sensação de bonança
Embora o fechamento a R$ 5,20 traga um alívio momentâneo para a inflação de importados e para o custo de vida do trabalhador, a queda é “importada”. Luciano Costa, da MonteBravo, é cirúrgico: o movimento é essencialmente externo.
O Brasil, neste cenário, é um passageiro em um navio guiado por capitães estrangeiros. Se a coordenação entre Tóquio e Washington se dissipar amanhã, a fragilidade da nossa economia voltará a ser exposta pela crueza dos números. Por ora, celebramos a queda, mas mantemos os olhos postos no Pacífico.

