Império Ruindo

Dólar hoje cai para R$ 5,20: Menor valor desde 2024 sob influência do Japão

Moeda americana recua 1,40% no Brasil em um movimento de enfraquecimento global sistêmico; entenda como rumores de intervenção cambial coordenada e a política nipônica impuseram uma trégua ao real.
Dólar hoje cai para R$ 5,20: Menor valor desde 2024 sob influência do Japão
Dólar hoje cai para R$ 5,20: Menor valor desde 2024 sob influência do Japão
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O mercado de câmbio, esse termômetro da ansiedade global, registrou nesta terça-feira uma queda que rompeu marcas históricas recentes.

O dólar encerrou o pregão cotado a R$ 5,2056 — um valor que não visitávamos desde os idos de maio de 2024.

Mas que ninguém se engane nos corredores do poder em Brasília: esta não é uma vitória da nossa política doméstica, mas sim o resultado de um terremoto financeiro cujo epicentro reside no Sol Nascente.

O Iene como fiel da balança

A gênese deste recuo reside na movimentação agressiva das autoridades japonesas. Após o iene ultrapassar a barreira psicológica de 150 por dólar — um patamar de desvalorização que beirava o insustentável para a terceira maior economia do mundo —, o Federal Reserve de Nova York entrou em cena. Rumores de uma intervenção cambial coordenada entre os EUA e o Japão fizeram o que nenhum discurso político brasileiro conseguiria: forçaram um rearranjo global de posições.

O fim da hegemonia momentânea

O índice DXY, a régua que mede a arrogância da divisa americana frente a uma cesta de moedas fortes, recuou 0,82%. O que assistimos é o enfraquecimento de um gigante que, confrontado pela necessidade de estabilidade no Japão e pela valorização consistente do euro, precisou recuar.

A dissolução do Parlamento pela primeira-ministra Sanae Takaichi trouxe a incerteza necessária para que o mercado recalibrasse suas apostas, transformando o pânico em uma valorização técnica das moedas periféricas, como o real.

A falsa sensação de bonança

Embora o fechamento a R$ 5,20 traga um alívio momentâneo para a inflação de importados e para o custo de vida do trabalhador, a queda é “importada”. Luciano Costa, da MonteBravo, é cirúrgico: o movimento é essencialmente externo.

O Brasil, neste cenário, é um passageiro em um navio guiado por capitães estrangeiros. Se a coordenação entre Tóquio e Washington se dissipar amanhã, a fragilidade da nossa economia voltará a ser exposta pela crueza dos números. Por ora, celebramos a queda, mas mantemos os olhos postos no Pacífico.

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