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Caso Letícia Birkheuer: neurociência alerta para impactos em adolescentes

O pronunciamento público do adolescente João Guilherme, de 14 anos, em meio à disputa judicial de guarda entre seus pais — a atriz Letícia Birkheuer e o empresário Alexandre Furmanovich — reacendeu um debate sensível sobre os efeitos da exposição de menores em conflitos familiares públicos.

Em vídeo divulgado ao lado do pai, o jovem afirmou não estar sendo coagido ou manipulado, declarou que sua participação foi espontânea e pediu que sua imagem não fosse explorada pela imprensa. O caso ocorre no contexto de um processo de guarda que se arrasta há mais de quatro anos, marcado por acusações cruzadas, incluindo alegações de alienação parental e violência psicológica entre os genitores.

Para a neurocientista Telma Abrahão, especialista em desenvolvimento infantil e adolescente e autora best-seller, situações desse tipo extrapolam o âmbito jurídico ou familiar e representam riscos concretos ao desenvolvimento emocional e psicológico do jovem.

“A adolescência é um período crítico de formação da identidade e de autopreservação emocional. Expor um adolescente em uma disputa pública, especialmente em contextos de acusação, pode gerar sentimentos profundos de vulnerabilidade e insegurança que ultrapassam o momento imediato do conflito”, afirma.


Cérebro em formação e estresse prolongado

Segundo Telma Abrahão, o cérebro adolescente ainda está em desenvolvimento, sobretudo nas áreas responsáveis pela regulação do estresse, empatia, tomada de decisões e construção de vínculos sociais.

“Quando um adolescente se vê envolvido em acusações públicas ou pressionado a se posicionar diante de uma audiência, isso ativa respostas de estresse prolongado. Ele passa a internalizar mensagens contraditórias sobre si mesmo e sobre os vínculos afetivos que deveriam ser fontes de segurança”, explica.

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Estudos em neurociência indicam que experiências adversas crônicas na infância e adolescência podem moldar padrões emocionais e comportamentais duradouros, afetando a capacidade de confiar, formar relações seguras e regular emoções diante de situações de pressão social.


Exposição pública e maturidade emocional

A especialista ressalta que, ainda que o adolescente afirme agir de forma espontânea, a repercussão do caso pode gerar impactos que ele não possui maturidade neurológica suficiente para processar plenamente.

“A interpretação externa, os julgamentos públicos e a circulação de narrativas nas redes carregam uma carga emocional intensa. Isso pode ultrapassar a capacidade de elaboração emocional do adolescente”, pondera.


Riscos psicológicos de longo prazo

De acordo com Telma Abrahão, conflitos familiares expostos publicamente podem desencadear efeitos psicológicos persistentes, como:

  • Sensação de instrumentalização emocional
  • Hipervigilância afetiva
  • Ansiedade e insegurança relacional
  • Dificuldades de socialização e confiança

“O adolescente pode passar a esperar conflito e desaprovação constantes, o que é um terreno fértil para sofrimento psíquico”, alerta.


Apelo por sigilo e proteção

A neurocientista conclui destacando que disputas de guarda já são, por si só, situações emocionalmente delicadas e exigem cuidado redobrado.

“Quando se soma a exposição pública, o estresse vivido pelo adolescente pode ser muito maior do que se imagina. Essas questões precisam ser tratadas com sigilo, responsabilidade e apoio psicológico, e não transformadas em espetáculo ou disputa por atenção”, conclui.


Caso Letícia Birkheuer: neurociência alerta para impactos em adolescentes | Diário Carioca

Isadora Mello

Jornalista de cultura apaixonada por música, cinema e literatura contemporânea. Isadora traz um olhar fresco sobre tendências artísticas e culturais

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