Retrocesso à Direita

Donald Trump ataca Harvard e bane estrangeiros

Departamento de Segurança dos EUA acusa Harvard de "pró-terrorismo" e suspende programa que permite matrícula de estudantes internacionais

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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Donald Trump - Foto: Daniel Torok

Washington (EUA) – Em mais um episódio da cruzada autoritária contra universidades, Donald Trump ordenou, nesta quinta-feira (22), a suspensão da matrícula de estudantes estrangeiros na Universidade de Harvard, uma das mais prestigiadas do mundo.

A medida foi anunciada pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, sob acusações sem provas de que a instituição teria vínculos com “terrorismo”.

O governo retirou a Certificação do Programa de Estudantes e Visitantes de Intercâmbio, essencial para que alunos de fora obtenham o visto estudantil. A decisão ameaça diretamente o futuro acadêmico de milhares de jovens de mais de 140 países que estudam ou pretendem estudar nos Estados Unidos.

Harvard na mira da extrema-direita

A justificativa oficial beira o delírio conspiratório. Segundo o governo, Harvard estaria “fomentando violência, antissemitismo e colaboração com o Partido Comunista Chinês”. A secretária de Segurança Interna, Kristen Noem, ainda declarou que aceitar estudantes estrangeiros seria um “privilégio”, não um direito – e que a punição deve servir de exemplo a outras instituições.

Sem a certificação, Harvard fica impossibilitada de emitir os documentos exigidos para o visto F-1, necessário para estudantes internacionais.

Retaliação política e perseguição ideológica

A hostilidade do governo Trump contra Harvard não começou agora. Em abril, o republicano já havia congelado US$ 2,2 bilhões (cerca de R$ 12,4 bilhões) em bolsas de estudo da universidade, após a instituição se recusar a aceitar interferência federal em seus processos internos de ensino e contratação.

O estopim foi a posição firme de Harvard contra o genocídio em Gaza e o apoio a protestos pacíficos no campus. Para a Casa Branca, esses atos configuram “atividades ilegais e violentas” – um rótulo que ecoa táticas autoritárias de regimes que criminalizam a dissidência.

Conheça o programa de Harvard que foi suspenso

O programa de intercâmbio atingido pela medida é parte do SEVP (Student and Exchange Visitor Program), um sistema que controla a entrada legal de estudantes estrangeiros nos EUA. Harvard, como qualquer universidade credenciada, precisa da certificação para emitir os formulários necessários ao visto de estudos.

Sem esse certificado, a universidade não pode mais aceitar novos alunos estrangeiros – o que afeta diretamente seu caráter internacional e compromete pesquisas, parcerias e diversidade no campus.

Harvard reage e denuncia ilegalidade

Em resposta oficial, Harvard classificou a medida como ilegal e reafirmou seu compromisso com a comunidade internacional:

“Permaneceremos totalmente comprometidos com nossos estudantes e professores vindos de mais de 140 países. A diversidade intelectual e cultural é parte essencial da nossa missão.”

A universidade ainda deve acionar os tribunais federais contra o bloqueio, o que pode desencadear uma disputa jurídica de grandes proporções sobre liberdade acadêmica, autonomia universitária e direitos civis nos Estados Unidos.

Comparações internacionais

Enquanto governos de países como Canadá, Alemanha e Austrália ampliam seus programas de acolhimento a estudantes internacionais, os EUA, sob Trump, caminham na contramão da ciência, da educação e da convivência democrática. Especialistas alertam que a medida pode prejudicar a reputação internacional do sistema universitário norte-americano e afastar talentos globais.

O Carioca esclarece

Por que isso importa?
A decisão afeta diretamente a vida de milhares de estudantes estrangeiros e representa um ataque frontal à autonomia das universidades nos EUA.

Quem são os envolvidos?
O governo Donald Trump, o Departamento de Segurança Interna, a secretária Kristen Noem e a Universidade de Harvard.

Qual o impacto no Brasil e no mundo?
Brasileiros e outros estudantes internacionais que planejavam estudar em Harvard podem ser barrados. A medida prejudica o intercâmbio acadêmico e a ciência global.

Como isso afeta a democracia e os direitos?
Reforça a escalada autoritária do trumpismo, criminaliza protestos pacíficos e viola o direito à educação internacional e à liberdade acadêmica.

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JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.