21 de junho de 2025 — Viena
Em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou categoricamente que os relatórios emitidos pela agência não podem ser usados como justificativa para ataques militares contra o Irã. A declaração ocorre dias após o Conselho dos Governadores da AIEA, pela primeira vez em 20 anos, ter acusado oficialmente o país persa de descumprir o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).
Apesar da acusação formal, Grossi foi enfático ao dizer que “a AIEA não encontrou provas de que o Irã esteja produzindo armas nucleares”, e que qualquer tentativa de transformar os documentos técnicos da agência em combustível político para justificar ações militares “é inaceitável e perigosa”.
O alerta veio tarde, segundo as autoridades de Teerã, que responsabilizaram a resolução da AIEA por ter alimentado a ofensiva militar contra o país, que já resultou na morte de centenas de civis.
Ataques em curso e clima de guerra
A declaração de Grossi acontece enquanto o Irã segue sob ataque de coalizões militares que utilizam como argumento justamente a recente resolução do Conselho da AIEA. A narrativa, construída por potências ocidentais e aliados regionais, tenta sustentar que o Irã representa uma ameaça nuclear iminente — algo que o próprio chefe da agência nuclear desmentiu de forma pública.
“O que nós fazemos é garantir transparência técnica. Não cabe à AIEA ser usada como instrumento de guerra ou legitimação de ataques”, frisou Grossi durante entrevista coletiva na sede da agência, em Viena.
Primeira vez em duas décadas
A decisão do Conselho dos Governadores, composta majoritariamente por representantes dos EUA e de seus aliados europeus, marca a primeira vez em duas décadas que a AIEA formaliza uma acusação direta de descumprimento do TNP contra Teerã. O governo iraniano, por sua vez, considera a medida “uma provocação política, sem respaldo técnico”, e já rompeu parcialmente acordos de inspeção que mantinha com a agência.
Tensão no Oriente Médio atinge limite crítico
O Oriente Médio vive hoje seu ponto mais alto de instabilidade desde a guerra do Iraque, em 2003. As sucessivas trocas de ataques entre Irã e Israel, somadas à participação indireta de Estados Unidos, Reino Unido e aliados da Otan, criaram um cenário de pré-guerra global.
O Irã acusa diretamente os Estados Unidos e Israel de “fabricarem pretextos” para justificar ações militares, enquanto insiste que seu programa nuclear tem fins exclusivamente civis e pacíficos, focado na produção de energia e desenvolvimento científico.
A posição de Grossi, ainda que clara, chega em um momento em que os mísseis já cruzam os céus e os salões diplomáticos parecem ter sido esvaziados.
O Carioca Esclarece
A AIEA é o órgão internacional responsável pela fiscalização de atividades nucleares em todo o mundo. Apesar de sua autoridade técnica, a agência não possui competência legal para autorizar ou justificar ações militares, cabendo essa decisão exclusivamente ao Conselho de Segurança da ONU.
FAQ
O Irã tem armas nucleares?
Não. Segundo a própria AIEA, até o momento não há provas de que o Irã possua armas nucleares ou que tenha desenvolvido ogivas atômicas.
O que significa a acusação da AIEA contra o Irã?
Significa que o país, segundo o Conselho dos Governadores, não cumpriu obrigações do Tratado de Não Proliferação, como fornecer informações completas e acesso irrestrito às inspeções.
A AIEA pode autorizar ataques militares?
Não. A AIEA é um órgão técnico e de fiscalização. Decisões sobre sanções ou ações militares cabem exclusivamente ao Conselho de Segurança da ONU.

