União contra o retrocesso

Lula viaja ao Chile e articula frente global contra extremismo e tarifa de Trump

Presidente busca reação internacional ao uso político de tarifas e à ofensiva digital da extrema direita
Lula - Foto: Ricardo Stuckert
Lula - Foto: Ricardo Stuckert
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Santiago, 20 de julho de 2025 — Em meio à escalada de tensões com os Estados Unidos, o presidente Lula desembarcou no Chile para articular uma frente internacional contra o extremismo, a manipulação digital e o tarifaço de Donald Trump.

Princípios Intransigentes

A ofensiva tarifária imposta por Donald Trump ao Brasil não é um gesto isolado, mas parte de uma estratégia sistemática de chantagem geopolítica e ataque direto à soberania nacional. Ao condicionar a retirada de sanções econômicas ao encerramento de investigações judiciais contra Jair Bolsonaro, o ex-presidente norte-americano deixa claro que sua guerra comercial tem alvos políticos bem definidos: a democracia brasileira e o Estado de Direito.

Não há como dissociar o tarifaço da crescente influência de movimentos autoritários que operam dentro e fora das instituições, manipulando redes sociais, minando consensos internacionais e alimentando campanhas de desinformação. Frente a esse cenário, Lula aposta na diplomacia de enfrentamento, que rompe com o servilismo da era Bolsonaro e reposiciona o Brasil como ator global da resistência democrática.

Reação internacional e ruptura com a neutralidade

O encontro “Democracia Sempre”, que ocorre nesta segunda-feira (21) no Palácio La Moneda, reúne lideranças como Gabriel Boric (Chile), Gustavo Petro (Colômbia), Yamandú Orsi (Uruguai) e Pedro Sánchez (Espanha). Não se trata de uma conferência protocolar, mas de uma coalizão política contra a normalização do autoritarismo.

Enquanto o Departamento de Estado tenta disfarçar o gesto de Trump sob alegações econômicas, a diplomacia brasileira já classificou a medida como uma tentativa explícita de ingerência — um ataque à ordem democrática do Sul Global. O Planalto quer deixar claro que a soberania brasileira não está à venda, tampouco será coagida por barganhas internacionais de um regime de exceção digital.

Redes sociais, IA e manipulação digital em pauta

A regulação internacional das plataformas digitais e da inteligência artificial será ponto central nas discussões em Santiago. O governo Lula vem alertando que o uso desenfreado de algoritmos, deepfakes e campanhas coordenadas por máquinas serve de combustível para o extremismo político, sobretudo em países com histórico recente de golpes ou tentativas de insurreição institucional.

Com as eleições de 2026 no horizonte, cresce o temor de que a extrema direita volte a usar o ciberespaço como arma de sabotagem democrática — prática já observada no Brasil, nos Estados Unidos e em diversas partes da Europa. O país quer pressionar por normas globais que impeçam a manipulação eleitoral transnacional.

Multilateralismo e justiça social como antídotos

Os líderes presentes pretendem propor medidas concretas para revitalizar o multilateralismo, combater as desigualdades e desarmar a máquina de radicalização. Para Lula, só haverá democracia estável onde houver justiça social, soberania digital e cooperação internacional. O Brasil não aceitará mais um papel passivo nas engrenagens de um sistema que privilegia potências imperiais enquanto sufoca economias do Sul.

Essa agenda é continuidade do que Lula e Sánchez iniciaram na ONU em 2024, quando denunciaram a instrumentalização da crise democrática como pretexto para o avanço do autoritarismo. Agora, o objetivo é formar um pacto permanente e público de países comprometidos com a defesa radical da democracia e da governança global com justiça.

Uma nova ONU e uma frente viva

As resoluções e acordos que emergirem do encontro em Santiago serão levados à 80ª Assembleia-Geral da ONU, em setembro, em Nova York. A expectativa brasileira é ampliar o eixo de resistência para além do campo progressista, envolvendo lideranças do Sul e do Norte em uma aliança concreta, que ultrapasse declarações diplomáticas e confronte a realidade de um mundo em colapso político e climático.

Mesmo sem um pronunciamento nominal sobre Trump, o Planalto espera que o evento consolide uma frente viva, capaz de conter não apenas tarifas, mas o avanço corrosivo de uma nova ordem autoritária. O Chile, por ora, é só o começo.

Perguntas e Respostas

Por que Lula está no Chile?
Para articular uma resposta internacional ao extremismo, à desinformação e às sanções de Trump contra o Brasil.

O que é o encontro “Democracia Sempre”?
Uma cúpula entre chefes de Estado progressistas focada na defesa da democracia e da soberania digital.

Trump pode retaliar ainda mais o Brasil?
Sim. A diplomacia brasileira considera possível nova escalada tarifária, especialmente se Lula mantiver apoio a investigações contra Bolsonaro.

Há risco de interferência nas eleições de 2026?
Sim. O governo teme o uso coordenado de manipulação digital para favorecer a extrema direita.

O Brasil vai propor regulação das redes sociais?
Vai. A proposta será levada à Assembleia-Geral da ONU em setembro, com apoio de outros países.

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