União contra o retrocesso

Lula viaja ao Chile e articula frente global contra extremismo e tarifa de Trump

Presidente busca reação internacional ao uso político de tarifas e à ofensiva digital da extrema direita

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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Lula - Foto: Ricardo Stuckert

Santiago, 20 de julho de 2025 — Em meio à escalada de tensões com os Estados Unidos, o presidente Lula desembarcou no Chile para articular uma frente internacional contra o extremismo, a manipulação digital e o tarifaço de Donald Trump.

Princípios Intransigentes

A ofensiva tarifária imposta por Donald Trump ao Brasil não é um gesto isolado, mas parte de uma estratégia sistemática de chantagem geopolítica e ataque direto à soberania nacional. Ao condicionar a retirada de sanções econômicas ao encerramento de investigações judiciais contra Jair Bolsonaro, o ex-presidente norte-americano deixa claro que sua guerra comercial tem alvos políticos bem definidos: a democracia brasileira e o Estado de Direito.

Não há como dissociar o tarifaço da crescente influência de movimentos autoritários que operam dentro e fora das instituições, manipulando redes sociais, minando consensos internacionais e alimentando campanhas de desinformação. Frente a esse cenário, Lula aposta na diplomacia de enfrentamento, que rompe com o servilismo da era Bolsonaro e reposiciona o Brasil como ator global da resistência democrática.

Reação internacional e ruptura com a neutralidade

O encontro “Democracia Sempre”, que ocorre nesta segunda-feira (21) no Palácio La Moneda, reúne lideranças como Gabriel Boric (Chile), Gustavo Petro (Colômbia), Yamandú Orsi (Uruguai) e Pedro Sánchez (Espanha). Não se trata de uma conferência protocolar, mas de uma coalizão política contra a normalização do autoritarismo.

Enquanto o Departamento de Estado tenta disfarçar o gesto de Trump sob alegações econômicas, a diplomacia brasileira já classificou a medida como uma tentativa explícita de ingerência — um ataque à ordem democrática do Sul Global. O Planalto quer deixar claro que a soberania brasileira não está à venda, tampouco será coagida por barganhas internacionais de um regime de exceção digital.

Redes sociais, IA e manipulação digital em pauta

A regulação internacional das plataformas digitais e da inteligência artificial será ponto central nas discussões em Santiago. O governo Lula vem alertando que o uso desenfreado de algoritmos, deepfakes e campanhas coordenadas por máquinas serve de combustível para o extremismo político, sobretudo em países com histórico recente de golpes ou tentativas de insurreição institucional.

Com as eleições de 2026 no horizonte, cresce o temor de que a extrema direita volte a usar o ciberespaço como arma de sabotagem democrática — prática já observada no Brasil, nos Estados Unidos e em diversas partes da Europa. O país quer pressionar por normas globais que impeçam a manipulação eleitoral transnacional.

Multilateralismo e justiça social como antídotos

Os líderes presentes pretendem propor medidas concretas para revitalizar o multilateralismo, combater as desigualdades e desarmar a máquina de radicalização. Para Lula, só haverá democracia estável onde houver justiça social, soberania digital e cooperação internacional. O Brasil não aceitará mais um papel passivo nas engrenagens de um sistema que privilegia potências imperiais enquanto sufoca economias do Sul.

Essa agenda é continuidade do que Lula e Sánchez iniciaram na ONU em 2024, quando denunciaram a instrumentalização da crise democrática como pretexto para o avanço do autoritarismo. Agora, o objetivo é formar um pacto permanente e público de países comprometidos com a defesa radical da democracia e da governança global com justiça.

Uma nova ONU e uma frente viva

As resoluções e acordos que emergirem do encontro em Santiago serão levados à 80ª Assembleia-Geral da ONU, em setembro, em Nova York. A expectativa brasileira é ampliar o eixo de resistência para além do campo progressista, envolvendo lideranças do Sul e do Norte em uma aliança concreta, que ultrapasse declarações diplomáticas e confronte a realidade de um mundo em colapso político e climático.

Mesmo sem um pronunciamento nominal sobre Trump, o Planalto espera que o evento consolide uma frente viva, capaz de conter não apenas tarifas, mas o avanço corrosivo de uma nova ordem autoritária. O Chile, por ora, é só o começo.

Perguntas e Respostas

Por que Lula está no Chile?
Para articular uma resposta internacional ao extremismo, à desinformação e às sanções de Trump contra o Brasil.

O que é o encontro “Democracia Sempre”?
Uma cúpula entre chefes de Estado progressistas focada na defesa da democracia e da soberania digital.

Trump pode retaliar ainda mais o Brasil?
Sim. A diplomacia brasileira considera possível nova escalada tarifária, especialmente se Lula mantiver apoio a investigações contra Bolsonaro.

Há risco de interferência nas eleições de 2026?
Sim. O governo teme o uso coordenado de manipulação digital para favorecer a extrema direita.

O Brasil vai propor regulação das redes sociais?
Vai. A proposta será levada à Assembleia-Geral da ONU em setembro, com apoio de outros países.

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JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.