Brasília — 9 de agosto de 2025 — O presidente da Rússia, Vladimir Putin, telefonou neste sábado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a fim de reforçar articulações diplomáticas antes de sua reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para a próxima semana no Alasca. A conversa integra uma ofensiva de Moscou para unificar posições no Brics diante das sanções ocidentais e da pressão sobre a guerra na Ucrânia.
Contatos estratégicos para enfrentar pressão ocidental
Segundo o Kremlin, Putin relatou a Lula os resultados de uma reunião recente com o enviado especial americano para o Oriente Médio, Steven Witkoff, na qual discutiu propostas para encerrar o conflito na Ucrânia. Entre as ideias em debate estão arranjos territoriais polêmicos, vistos como concessões unilaterais em favor de Moscou.
O Palácio do Planalto informou que Lula reafirmou a defesa do diálogo e de soluções pacíficas, colocando o Brasil à disposição para contribuir, inclusive no Grupo de Amigos da Paz, iniciativa conjunta com a China que busca mediar o impasse.
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Brics como contraponto à hegemonia dos EUA
A conversa também reforçou a intenção de ampliar a parceria estratégica entre Brasil e Rússia, especialmente no comércio de fertilizantes e diesel, setores vitais para a economia brasileira. Putin já manteve diálogos semelhantes nos últimos dias com líderes da China, Índia e África do Sul para fortalecer o bloco como instrumento político contra o isolamento imposto por Washington e seus aliados.
Em julho, o Rio de Janeiro sediou a Cúpula do Brics, encontro que consolidou novas frentes de cooperação econômica e energética. A movimentação de Putin antes de se encontrar com Trump sinaliza que o Kremlin pretende chegar ao Alasca com respaldo internacional sólido.
Entenda o que está em jogo
Por que o encontro é relevante?
Porque reúne dois líderes de potências nucleares que podem redesenhar o mapa geopolítico da guerra na Ucrânia.
Quem ganha com a aproximação?
O Kremlin busca aliviar sanções, enquanto Trump tenta apresentar-se como pacificador para reforçar sua imagem interna.
Onde o Brasil se encaixa?
Como fornecedor de insumos estratégicos à Rússia e parceiro no Brics, o Brasil mantém margem de negociação, mas evita sanções.
Risco de acordos à portas fechadas
Para analistas, o encontro no Alasca pode resultar em compromissos não transparentes, que deixem de lado a soberania ucraniana e consolidem precedentes perigosos para disputas territoriais globais. O Brasil, ao manter o discurso de neutralidade ativa, preserva interesses econômicos, mas caminha sobre um campo minado de pressões externas.

