Uma Besta

Donald Trump ridiculariza manifestantes pró-Venezuela como “pagos e feios”

Comentários do presidente americano em evento com republicanos intensificam polarização em meio à crise geopolítica envolvendo Venezuela e reação global.
Donald Trump
Donald Trump
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico

Jornalista do Diário Carioca.

No teatro tenso que mistura diplomacia e guerra de narrativas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu mais uma mostra de retórica inflamável: numa reunião com legisladores republicanos, ele descreveu manifestantes pró-Venezuela como “pagos” e “as pessoas mais feias que já viu”.

A fala, que circula em vídeo nas redes não veio acompanhada de qualquer evidência concreta para as acusações de pagamento político.

O episódio se insere no contexto da operação militar ordenada por Trump na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e no controle de vastas reservas de petróleo venezuelano — uma ação que já provocou debates acalorados sobre legalidade e soberania.

Retórica e realidade

O uso de adjetivos depreciativos — “uma bagunça”, “as pessoas mais feias” — remete não apenas ao desprezo pelo adversário, mas a uma longa tradição política em que líderes tentam desumanizar oponentes para consolidar bases internas. Desde as sátiras brutais de Juvenal no Império Romano até os ataques de rua no início do século XX, a vilificação pública de dissidentes sempre foi um instrumento de poder. Trump o emprega aqui para transformar um movimento social em espetáculo de zombaria, em vez de enfrentar as causas políticas subjacentes às manifestações tanto em Nova York quanto na Venezuela.

Discurso e diplomacia

Trump também afirmou que muitos desses manifestantes seriam pagos pelo “radical left”, usando sinais visualmente profissionais como prova de organização pagante — uma narrativa que circula em meios conservadores, mas que carece de comprovação independente.

A escalada retórica acontece num momento em que a intervenção americana na Venezuela foi saudada por aliados, questionada por opositores e criticada por potências como a Rússia, que qualificou a operação de “ilegal e desestabilizadora”.

“Quando a política perde sustentação factual, busca refúgio na zombaria — mas a história lembra dos discursos, não dos insultos.”

Este tipo de comentário acirra tensões domésticas e internacionais e dificulta qualquer caminho de diálogo ou solução política duradoura.

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