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Sempre Volta?

Vale Tudo quando a alma não é pequena

A novela Vale Tudo de 2025 finalmente chegou ao fim. O tão aguardado remake de uma das mais célebres telenovelas brasileiras movimentou as redes e conseguiu, ainda que pelo motivo oposto ao desejado, prender uma boa parcela de atenção – no entanto, não o suficiente para ter recorde de audiência. Afinal, era preciso saber como seria respondida desta vez a pergunta de ouro: “Quem matou Odete Roitman?”.

Não é como se precisássemos de um remake. Definitivamente, não precisávamos. Mas desejavam fazer. Parafraseando a personagem Raquel, Quem quer pode e quem pode faz. Desde que começaram a levantar nomes e notícias, a polêmica passou a ser a protagonista dessa novela. Humanizar Odete Roitman, Raquel negra, Bela Campos para Maria de Fátima, tudo era motivo para escracho. E ainda faltava o principal: quem tinha idade semelhante e gabarito suficiente para encarnar uma personagem que virou sinônimo de Beatriz Segall? Alguém poderia convencer no papel da vilã das vilãs? 

À escolha de Débora Bloch seguiram-se os memes do volume avantajado da foto de divulgação da nova Odete, mas logo perderam o brilho diante de inúmeros erros de continuidade, alterações da história e personagens cansativos. Salvou-se o casal de lésbicas, é verdade, pudemos ver ao menos uma vez uma Odete frágil, indiscutivelmente, no entanto, pareceram acertos menores diante de tantos problemas. Um dos pontos elogiados da primeira versão era a discussão política que nessa versão ficou para escanteio… assim como a protagonista. Antes do badalado assassinato de Odete, outro crime aconteceu: houve o sumiço/redução do tempo de tela de Raquel. E, entre os suspeitos, até a ex-deputada Manuela D’ávila. Imagine se a PEC da blindagem tivesse sido aprovada, cenas como essa seriam comuns. 

Para todos os efeitos, se colocados na balança os pontos positivos e negativos, esse remake de Vale tudo é mais um produto para ser esquecido. No máximo, para ser lembrado como “aquela novela que a Débora Bloch brilhou”. Porque definitivamente Débora brilhou. Ainda que não tenha sido sua primeira vilã, longe disso, aliás, a atriz encarnou e deu sua marca à personagem que não parecia caber em nenhuma outra pessoa que não fosse Beatriz Segall. Qualquer noveleiro, por mais apegado que seja, teve que ceder: vestiu perfeitamente, très bien, como diria dona Odete, se não estivesse fingindo-se de morta. Disse ela que sempre volta. Talvez daqui 37 anos?

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Jaqueline Ribeiro

Jaqueline Ribeiro é bacharela em Comunicação/Jornalismo pela UEMG-Frutal, interessada por tudo o que conta histórias, escreve sobre livros, filmes e discos

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