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Saneamento Básico, o filme: nosso bingo pessoal para o Globo de Ouro

Quando estávamos às voltas com as premiações de “Ainda estou aqui”, a filmografia de Fernanda Torres foi revirada. Do prêmio em Cannes, passando por seus seriados até as parcerias com a mãe, tudo ganhou um novo olhar. Nesse processo, até “Saneamento Básico, o filme”, um filme normalmente pouco lembrado, acabou voltando aos cinemas, remasterizado. E, nem bem tínhamos cessado a celebração pelo Oscar, começaram os burburinhos: Wagner Moura e seu Agente Secreto tinham tudo para fazer uma dobradinha. Este início do ano veio confirmar: o Globo de Ouro é brasileiro de novo. Pois adivinhe o filme que faz parte da filmografia do Wagner também. 

“Saneamento Básico, o filme” é um legítimo filme de comédia jorgefurtadiana: despretensioso, sutil e, em alguma medida, tocante. Neste filme de 2007, o diretor aborda a tentativa de resolver um problema que há anos vem incomodando a comunidade, o esgoto a céu aberto. A crítica social vai além do mote: há dinheiro para fazer filme, mas não há dinheiro para resolver a questão de saneamento. O filme não se digna a explicar nada sobre editais – assim como o outro filme, este também não é didático. Sabe-se apenas que não se pode devolver dinheiro para Brasília. E assim fazem. Ou tentam.

Diferente das outras personagens que logo topam colaborar, o personagem de Paulo José, pai de Fernanda Torres e de Camila Pitanga, é particularmente crítico à ideia de fazer um filme para conseguir a verba. Não acha possível, duvida que saia boa coisa, não crê que algum dia aquilo se resolva. É um homem prático que, apesar de gostar de arte, acredita nas suas coisas. Porém, assim como os outros personagens, vai sendo envolvido na feitura do filme até ser “picado” pelo “bicho” cinema. Então, a fossa, que antes era prioridade, aos poucos, acaba sendo deixada de lado em prol da arte, em prol do belo.

Além dos nossos vencedores do Globo de Ouro, o elenco de “Saneamento Básico” é realmente todo estrelado. Destaque para o já mencionado Paulo José, falecido em 2021. Seu personagem é secundário, é verdade, mas o espectador é agraciado por um curto monólogo que valoriza o ator, sua bagagem e, ao mesmo tempo, deixa um sentimento de “Ah, que saudades do Paulo José!”. Apesar de tão precários em algumas áreas, em se tratando de arte, estivemos e continuamos muito bem, obrigado. Saneamentos básicos por fazer à parte, vamos torcer pelo Oscar de novo.

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Jaqueline Ribeiro

Jaqueline Ribeiro é bacharela em Comunicação/Jornalismo pela UEMG-Frutal, interessada por tudo o que conta histórias, escreve sobre livros, filmes e discos

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