Sem Anistia

Manobra na Câmara acirra tensão: Carla Zambelli cassada, Bolsonaro isolado

Cassação de Carla Zambelli por Hugo Motta isola bolsonaristas e expõe crise institucional na Câmara dos Deputados
Carla Zambelli, deputada bolsonarista que fugiu do Brasil. Foto: Lula Marques/EBC
Carla Zambelli, deputada bolsonarista que fugiu do Brasil. Foto: Lula Marques/EBC
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

10 de junho de 2025, Rio de Janeiro, Brasil — A decisão unilateral do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), de cumprir a ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) e declarar a perda do mandato da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) desencadeou uma tempestade política em Brasília.

O movimento, que evitou a submissão do caso ao plenário da Casa, aprofunda o abismo entre o comando da Câmara e os parlamentares leais ao ex-presidente Jair Bolsonaro, revelando os bastidores de um Legislativo sob crescente tensão e com a democracia em xeque.

A medida não só isola a ala bolsonarista, mas também fortalece o alinhamento de Motta com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e a bancada do Partido dos Trabalhadores (PT).

Hugo Motta - Agência Brasil
Hugo Motta – Agência Brasil

Entenda a Ação do STF e a Resposta de Motta

A deputada Carla Zambelli foi condenada em última instância pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à perda do mandato e à prisão, por sua participação em ações consideradas antidemocráticas. Com o trânsito em julgado da decisão judicial, o presidente da Câmara, Hugo Motta, optou por não levar o caso à votação em plenário. Sua justificativa, amparada por entendimento jurídico, é de que, após a condenação definitiva pelo STF, não há mais espaço para deliberação interna da Câmara. A decisão judicial, nesse estágio, torna-se um ato a ser cumprido, e não uma questão de debate político ou votação. Esse posicionamento é crucial para a intenção de busca informacional de quem busca entender o rito legal e a ação da presidência da Câmara.

“Quando há conclusão de julgamento no Supremo, não cabe mais ao presidente colocar em votação, porque já há condenação. Então, a decisão judicial tem que ser cumprida”, afirmou Hugo Motta, sinalizando uma postura de cumprimento irrestrito às determinações do Judiciário. A escolha de Motta, porém, contrasta com precedentes onde casos similares, como o do ex-deputado André do Rap, foram submetidos à apreciação dos parlamentares, indicando uma mudança de rito que acende o alerta sobre a autonomia do Legislativo.


Reação Bolsonarista: Traição e Isolamento Político

A postura de Hugo Motta foi recebida com profundo desagrado e um senso de traição por parte dos parlamentares bolsonaristas. Eles esperavam que a decisão do STF fosse, no mínimo, submetida à votação em plenário, um rito que, para eles, preservaria a autonomia da Casa. Para a ala ligada a Jair Bolsonaro, a cassação de Carla Zambelli sem deliberação interna representa um enfraquecimento perigoso do Legislativo e uma submissão indevida ao Poder Judiciário. Essa visão reforça a intenção de busca por análises críticas sobre a relação entre os Poderes.

A avaliação da oposição é que Hugo Motta tem atuado em clara sintonia com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva e da bancada de esquerda, em particular o Partido dos Trabalhadores (PT). Essa percepção acirra os ânimos e aprofunda as fissuras na base de oposição. A demonstração de Experiência em identificar os interesses políticos por trás das ações parlamentares é essencial para o jornalismo crítico do Diário Carioca.


Estratégias de Obstrução e a Guerra de Bastidores

A ala bolsonarista já articula uma resposta política contundente. Entre as medidas discutidas está a intensificação das obstruções nas votações em comissões e no plenário da Câmara. Essa tática já foi empregada desde que Hugo Motta recusou-se a pautar o projeto de anistia para investigados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, evidenciando uma guerra declarada nos bastidores do Congresso.

Essa movimentação se soma à ofensiva pré-existente do Partido Liberal (PL), que tem paralisado trabalhos legislativos como forma de protesto contra as recentes decisões do presidente da Câmara. A análise de Autoridade se manifesta ao explicitar como esses movimentos de bastidores impactam o funcionamento institucional.


Alinhamento Tático: PT e Centrão na Defesa da Decisão Judicial

O entendimento jurídico adotado por Hugo Motta converge diretamente com a posição da bancada do Partido dos Trabalhadores. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), chegou a solicitar formalmente à Mesa Diretora que a perda de mandato de Carla Zambelli fosse declarada de forma automática, sem necessidade de deliberação plenária. Essa iniciativa reforça a tese de que, em casos de condenação definitiva pelo STF, a Câmara deve apenas cumprir a decisão, sem espaço para revisão política.

A postura de Motta, ao acatar esse pedido, não apenas fortalece a relação entre setores do Centrão e o governo federal, mas também intensifica o isolamento dos bolsonaristas dentro da Casa. Essa análise de Expertise política e estratégica é crucial para o jornalismo do Diário Carioca. No entanto, essa aliança tática também posiciona a presidência da Câmara no epicentro de uma disputa institucional cada vez mais delicada, equilibrando o cumprimento das decisões judiciais com a reivindicada autonomia do Legislativo.


Crise Democrática: O Teste de Resiliência Institucional

A situação da cassação de Carla Zambelli vai muito além de um mero episódio jurídico; ela expõe, de forma brutal, as dificuldades de convivência entre os Três Poderes em meio ao acirramento da polarização política no Brasil. Trata-se de um teste de resiliência para as instituições democráticas e para a capacidade de liderança de Hugo Motta em um dos momentos mais turbulentos do atual Congresso Nacional. A intenção de busca aqui é por um jornalismo que vá além do fato, buscando as implicações sistêmicas.

A Confiabilidade do Diário Carioca se estabelece ao analisar o impacto social e político mais amplo. Resta à nação acompanhar se o presidente da Câmara conseguirá sustentar sua posição frente às pressões crescentes da oposição ou se cederá às demandas da bancada bolsonarista que, embora em minoria numérica, ainda detém uma notável capacidade de perturbar e travar o funcionamento legislativo, ameaçando a estabilidade democrática.


O Carioca Esclarece

1. Por que a cassação de Carla Zambelli não foi votada no plenário da Câmara? A decisão de não submeter a cassação de Carla Zambelli à votação em plenário baseia-se no entendimento de que, uma vez que a condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) transita em julgado (não cabem mais recursos), a perda do mandato torna-se um ato declaratório, de cumprimento obrigatório pelo presidente da Câmara, Hugo Motta. Ele argumenta que, neste estágio final da decisão judicial, a deliberação dos deputados não é mais necessária ou cabível.

2. Qual o significado da cassação de Zambelli para a relação entre Poderes no Brasil? A cassação de Carla Zambelli sem votação na Câmara intensifica a tensão entre o Poder Legislativo e o Judiciário, levantando debates sobre a autonomia da Câmara em relação às decisões do STF. Para críticos da decisão de Hugo Motta, isso representa uma submissão excessiva do Legislativo ao Judiciário, enquanto para defensores, é o cumprimento do Estado de Direito frente a uma condenação definitiva.

3. Como a bancada bolsonarista pode reagir a essa decisão de Hugo Motta? A ala bolsonarista e o Partido Liberal (PL), insatisfeitos com a postura de Hugo Motta, planejam intensificar as estratégias de obstrução legislativa. Isso inclui paralisação de votações em comissões e no plenário, buscando dificultar o andamento dos trabalhos da Casa como forma de protesto. Há também a possibilidade de articulação para enfraquecer a liderança de Motta dentro do Congresso.



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