AGU aciona STF contra Congresso e expõe crise entre os Poderes

Governo questiona legalidade da derrubada do decreto do IOF; Lula vê “traição” e cobra reação firme
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
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Jornalista do Diário Carioca.

Brasília, 1º de julho de 2025 – A Advocacia-Geral da União (AGU) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisão do Congresso Nacional que derrubou o decreto presidencial que alterava as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A iniciativa marca novo capítulo na tensão entre os Poderes e reforça o desgaste entre o Palácio do Planalto e o Legislativo.

A ação da AGU requer o reconhecimento formal da validade do decreto presidencial e a declaração de inconstitucionalidade do decreto legislativo que o derrubou. O advogado-geral da União, Jorge Messias, defende que o texto assinado pelo presidente Lula é “plenamente constitucional” e considera a iniciativa do Congresso uma violação direta ao princípio da separação de poderes.

“A avaliação técnica dos nossos advogados, submetida ao presidente, foi que a medida adotada pelo Congresso Nacional violou a separação de poderes. O decreto presidencial é válido e está em conformidade com a Constituição”, afirmou Messias.


Lula cobra reação: “Não abriremos mão do sistema de governo”

Segundo apuração do Diário Carioca, a decisão de acionar o Supremo foi tomada na última quinta-feira (26), em reunião no Palácio do Planalto com a presença de Lula, Messias, da ministra das Relações Institucionais Gleisi Hoffmann e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

A irritação do presidente foi explícita diante da articulação liderada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que antecipou a votação do decreto presidencial para o plenário.

Lula teria classificado o gesto como uma “traição” e determinou à AGU que tomasse “todas as providências legais cabíveis” para manter a autoridade do Executivo sobre decisões tributárias.


AGU avisou presidentes da Câmara e do Senado antes da ação

O chefe da AGU afirmou que notificou previamente os presidentes da Câmara e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre a ação no STF. Messias ressaltou que o governo mantém uma relação “respeitosa e harmônica” com o Legislativo, mas advertiu que, nesse caso, o Executivo vai agir com firmeza.

“Há espaço da política e há espaço do direito. Nesse momento, falará o direito. A política poderá chegar a seus próprios arranjos”, declarou.


Tensão institucional exposta

Antes mesmo da votação no Congresso, o governo já cogitava recorrer ao Judiciário caso o decreto fosse derrubado. Uma ala da base aliada, porém, defendia uma solução política para evitar novo embate entre os Poderes.

A ida ao STF, no entanto, tornou-se inevitável diante do que o Planalto considerou um movimento deliberado de enfraquecimento da autoridade presidencial.

O Diário Carioca apurou que Lula vê com preocupação o fortalecimento do Centrão em votações de impacto fiscal e teme um precedente perigoso para outras medidas econômicas em tramitação.


STF já acumula ações sobre o tema

Além da ação apresentada pela AGU, outras duas já tramitam no STF: uma movida pelo Partido Liberal (PL), contrária ao decreto do IOF, e outra pelo PSOL, que defende sua legalidade.

O presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso, encaminhou todos os processos para o gabinete do ministro Alexandre de Moraes, que ficará responsável pela relatoria do caso.


O Carioca Esclarece

O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) incide sobre transações de crédito, câmbio, seguros e títulos. Decretos presidenciais podem alterar suas alíquotas dentro de critérios constitucionais.


FAQ – Perguntas Frequentes

O que motivou a ação da AGU no STF?
A derrubada do decreto do IOF pelo Congresso, considerada pelo governo uma violação da separação de poderes.

O que o governo pretende com a ação?
Restabelecer o decreto original e garantir que decisões tributárias do Executivo não sejam invalidadas de forma política.

Quem vai julgar o caso no STF?
O ministro Alexandre de Moraes foi designado relator e deve analisar o mérito das três ações relacionadas ao tema.


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