Brasília, 3 de julho de 2025 – A tensão entre o Executivo e o Legislativo atingiu um novo patamar. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), elevou o tom nos bastidores e passou a condicionar qualquer tentativa de reaproximação com o Palácio do Planalto a dois gestos considerados “obrigatórios” por seus aliados: o afastamento imediato do ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) e o fim dos ataques públicos ao Congresso Nacional por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A movimentação ocorre após uma série de discursos e ações do governo que foram recebidas por líderes parlamentares como afrontas ao Parlamento. O estopim mais recente foi a exibição de um cartaz com os dizeres “taxação dos super-ricos” durante um ato político na Bahia. O gesto de Lula, embora simbólico, reacendeu o sentimento de isolamento entre os congressistas, que veem na retórica do “nós contra eles” um fator de desgaste institucional.
Alcolumbre quer mais do que palavras
Nos bastidores, Alcolumbre tem repetido que “gestos simbólicos não bastam”. Ele exige ações concretas por parte do Executivo para considerar qualquer tentativa de pacificação. A principal delas seria a demissão de Alexandre Silveira, titular do Ministério de Minas e Energia.
Aliados do senador afirmam que há forte insatisfação com a atuação de Silveira, considerada errática e politicamente desgastante. Ainda que não haja provas públicas de irregularidades, o ministro virou alvo de suspeitas ventiladas por parlamentares do União Brasil, partido de Alcolumbre.
Fontes próximas ao presidente do Senado afirmam que Silveira se tornou um obstáculo à reaproximação entre os Poderes. “Se ele [Lula] quiser mesmo pacificar, precisa tirar esse ministro”, afirma um interlocutor.
Lula resiste e defende ministro
No Planalto, a reação ao ultimato de Alcolumbre foi de irritação contida. Lula teria dito a auxiliares que não cederá a pressões sem base legal ou evidência concreta. No entanto, assessores do presidente reconhecem que o tema está em análise, e que a permanência de Silveira dependerá da evolução do embate político nas próximas semanas.
Apesar disso, o presidente manteve a defesa pública da atual equipe e reforçou que a prioridade do governo é a aprovação da reforma tributária, com foco em “justiça social e fiscal”.
PT intensifica narrativa e incomoda Congresso
A estratégia de comunicação do governo federal também contribuiu para o desgaste. Com forte presença nas redes sociais, o PT tem promovido uma ofensiva digital centrada na chamada “justiça tributária”, defendendo a taxação de bilionários, bancos e casas de apostas — apelidada internamente de “trilogia BBB” (Bilionários, Bancos e Bets).
Vídeos produzidos com apoio de inteligência artificial vêm sendo amplamente divulgados para defender a agenda econômica. No entanto, parlamentares acusam o conteúdo de estimular a polarização e atacar diretamente o Congresso, ao atribuir à Casa a responsabilidade por barrar avanços sociais.
A tensão foi ampliada após Lula declarar, em entrevista à TV Bahia, que “os interesses de poucos continuam mandando na Câmara e no Senado”, frase interpretada como provocação direta a Alcolumbre e ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Diálogo pode ocorrer após Cúpula do Brics
Apesar da crise, há expectativa de retomada do diálogo. Lula já anunciou que convocará Alcolumbre e Motta para uma reunião após a realização da Cúpula do Brics, no Rio de Janeiro. A intenção seria estancar a sangria política e criar uma ponte de negociação para o segundo semestre legislativo.
Alcolumbre, por sua vez, afirmou a interlocutores que “atenderá ao convite”, mas espera que o governo “chegue com propostas concretas e disposição real para ceder”.
A crise ocorre em um momento estratégico para o Executivo, que depende do Congresso para aprovar medidas como a nova fase da reforma tributária, mudanças na política de preços da Petrobras e o avanço do novo programa de habitação popular.
O Carioca Esclarece
A permanência de ministros é prerrogativa exclusiva do presidente da República, mas a pressão política exercida por líderes do Congresso pode influenciar diretamente nas decisões do Executivo, especialmente em contextos de fragilidade institucional.
FAQ – Perguntas Frequentes
1. Por que Alcolumbre quer a demissão de Alexandre Silveira?
O presidente do Senado está insatisfeito com a condução do ministério e acredita que o ministro representa um entrave à boa relação entre o Legislativo e o Executivo.
2. Lula vai demitir o ministro?
Até o momento, o presidente mantém a confiança em Silveira, mas o desgaste político pode alterar esse cenário caso a crise se agrave.
3. Qual é a origem do conflito entre Lula e o Congresso?
A principal queixa do Parlamento é a retórica de confronto adotada pelo governo, especialmente nas campanhas pela taxação dos super-ricos, vista como um ataque direto aos interesses representados na Casa.
