Brasília — 8 de julho de 2025. Sindicalistas de várias categorias protestaram dentro do Congresso Nacional contra a reforma administrativa e bloquearam o acesso ao gabinete do presidente da Câmara, Hugo Motta.
“Não é reforma, é demolição”, gritam sindicatos no Congresso
A tarde de terça-feira foi marcada por um movimento incomum dentro do coração do poder legislativo brasileiro. Centenas de sindicalistas ocuparam o estacionamento e os corredores da Câmara dos Deputados, em Brasília, levando sua indignação até a porta do gabinete de Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Casa e principal articulador da reforma administrativa no Congresso.
A mobilização partiu de dezenas de entidades sindicais unificadas contra a proposta que, segundo os manifestantes, desmonta pilares históricos do serviço público brasileiro. A principal palavra de ordem ecoada pelos corredores era direta: “Não é reforma, é demolição.”
Com o avanço da multidão, a segurança da Câmara reforçou o cerco à sala de Hugo Motta, enquanto os manifestantes tentavam se aproximar também do plenário, sem sucesso. Não houve confronto físico nem depredação, mas o clima foi de tensão constante.
O que está em jogo?
A reforma administrativa defendida por Hugo Motta, com amplo apoio do Centrão e da extrema-direita, mira em transformar profundamente a estrutura do funcionalismo público no Brasil. Sob o pretexto de “modernização” e “eficiência”, o projeto ameaça direitos conquistados há décadas.
Entre as mudanças propostas, destacam-se:
- Fim da estabilidade como a conhecemos: A proposta cria um modelo de “estabilidade condicional”, baseado em avaliações periódicas. O servidor poderá ser demitido caso apresente desempenho considerado insatisfatório.
- Nova lógica de ingresso: Concursos públicos perderiam espaço para seleções baseadas em desempenho subjetivo, abrindo brechas para nomeações políticas e insegurança jurídica.
- Comissionados mais técnicos? O projeto afirma que pretende reduzir os cargos de livre nomeação, mas especialistas alertam para riscos de aumento da burocratização sem controle social efetivo.
- Teto de gastos disfarçado: A reforma limita reajustes e altera regras de aposentadoria, equiparando o setor público ao regime privado — sem considerar as funções sociais distintas que ambos exercem.
Por que os sindicatos reagiram agora?
A votação da proposta foi acelerada nas últimas semanas por Hugo Motta, que pretende entregar o texto ao plenário antes do recesso parlamentar. Para os sindicatos, isso configura uma manobra antidemocrática: sem debate, sem audiência pública ampla, sem consulta aos servidores que serão diretamente afetados.
“Querem reformar o Estado sem ouvir o povo. A gente não aceita retrocesso travestido de modernidade”, afirmou uma das lideranças da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), presente no ato.
A ocupação dos corredores da Câmara foi, portanto, um gesto calculado: tornar visível o que se tenta empurrar no escuro dos gabinetes.
O Diário Carioca Esclarece
- O que é a reforma administrativa?
É um conjunto de mudanças na legislação que regula o serviço público no Brasil, atualmente em tramitação no Congresso. - Quem apoia e quem se opõe?
O apoio vem majoritariamente de partidos ligados ao Centrão e à extrema-direita. A oposição é liderada por sindicatos, movimentos sociais e partidos progressistas. - Quando será votada?
Hugo Motta tenta aprovar a proposta até o fim de julho, mas a resistência crescente pode adiar a votação.
FAQ (Perguntas Frequentes)
1. O que muda para quem já é servidor?
As regras mais duras devem valer apenas para futuros servidores, mas a proposta ainda pode ser alterada para incluir mudanças retroativas.
2. Por que a reforma é chamada de “demolição”?
Porque retira direitos estruturais e esvazia o papel público do Estado, enfraquecendo áreas como saúde, educação e assistência social.
3. A proposta pode ser barrada?
Sim. A pressão popular e parlamentar pode adiar ou até impedir a votação, como ocorreu com outras reformas controversas.

