Brasília, 18 de julho de 2025 — Jair Bolsonaro foi alvo de mandados de busca e impôs novas restrições judiciais determinadas por Alexandre de Moraes: tornozeleira eletrônica, censura digital, proibição de contato com diplomatas e isolamento familiar e político.
STF impõe isolamento político e digital a Bolsonaro
A ofensiva judicial contra Jair Bolsonaro se aprofundou nesta sexta-feira (18). O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, impôs ao ex-presidente um conjunto de medidas que inclui uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, proibição total de redes sociais, recolhimento domiciliar e veto a qualquer contato com diplomatas, aliados investigados e até seu próprio filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
As decisões foram executadas pela Polícia Federal durante operação realizada em Brasília. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão na casa de Bolsonaro, no Jardim Botânico, e em seu escritório político na sede do Partido Liberal. A ação ocorre no âmbito da Petição nº 14129, que apura a atuação das chamadas milícias digitais e possíveis ameaças ao Estado Democrático de Direito.
Monitoramento contínuo e cerco à comunicação
O uso de tornozeleira eletrônica passa a ser obrigatório imediatamente. O ex-presidente terá sua movimentação monitorada 24 horas por dia, e está legalmente impedido de sair de casa entre 19h e 7h, inclusive durante todo o período dos finais de semana.
Bolsonaro também está proibido de acessar redes sociais como X, Facebook, Instagram, YouTube e WhatsApp. A decisão atinge o coração da estratégia bolsonarista, que sempre se ancorou na guerra de narrativas digitais e na mobilização de massa via plataformas.
Mais do que restrições técnicas, Moraes impôs uma ruptura simbólica. A censura digital não é apenas uma sanção; é um corte profundo no elo entre o ex-presidente e sua base militante — uma tentativa de desmobilizar os fluxos permanentes de desinformação e radicalização.
Veto a Eduardo e bloqueio diplomático
A proibição de contato com Eduardo Bolsonaro, filho e operador internacional do bolsonarismo, representa uma medida inédita. O deputado, que está nos Estados Unidos, é acusado de tentar articular sanções contra o Brasil junto a parlamentares estrangeiros.
A decisão também impede Bolsonaro de se aproximar de embaixadas ou manter qualquer interlocução com diplomatas. O STF entende que o ex-presidente atua para corroer a credibilidade institucional do país no exterior e comprometer investigações em curso.
Justiça amplia cerco contra projeto autoritário
Jair Bolsonaro é réu por incitação à tentativa de golpe de Estado e investigado em múltiplos inquéritos — entre eles, falsificação de dados de vacinação, tráfico de joias e obstrução de investigações. O endurecimento das medidas judiciais sinaliza que o STF vê risco real de interferência, evasão e continuidade das práticas antidemocráticas.
Segundo apurou o Diário Carioca, os autos da Petição 14129 incluem indícios de que Bolsonaro teria usado interlocutores e redes estrangeiras para sabotar o avanço dos processos. Moraes justificou as novas medidas com base na necessidade de proteger o devido processo legal e o funcionamento das instituições democráticas.
Perguntas e Respostas
Bolsonaro está usando tornozeleira eletrônica?
Sim. O STF determinou monitoramento eletrônico 24 horas por dia.
Quais redes sociais ele está proibido de acessar?
Todas: X, Facebook, Instagram, YouTube, WhatsApp e demais plataformas digitais.
Ele pode falar com o filho Eduardo Bolsonaro?
Não. Está proibido de manter qualquer contato com Eduardo, que está nos EUA.
Pode frequentar embaixadas ou falar com diplomatas?
Não. A decisão veta a aproximação de sedes diplomáticas e contato com diplomatas.
Quais os horários do recolhimento domiciliar?
Entre 19h e 7h, todos os dias, incluindo finais de semana inteiros.

