Brasília (DF), 30 de julho de 2025 — O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) vai solicitar oficialmente à Procuradoria-Geral da Itália que Carla Zambelli (PL-SP), presa em Roma, não seja extraditada ao Brasil. O documento é assinado por lideranças do PL e argumenta que a parlamentar é alvo de perseguição política.
Ofício do PL tenta barrar extradição de Zambelli
O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, articula uma ofensiva diplomática e jurídica para impedir a extradição da deputada Carla Zambelli, detida na Itália desde a última terça-feira (29).
O ofício será encaminhado à Procuradoria-Geral da Itália com o argumento de que Zambelli é vítima de perseguições políticas no Brasil. O documento foi elaborado pelo departamento jurídico da sigla e conta com assinaturas dos principais líderes do partido.
Segundo apurou o Diário Carioca, o deputado Coronel Meira (PL-PE), que se encontra atualmente em Portugal, será o responsável por entregar pessoalmente o ofício às autoridades italianas.
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Processo de extradição pode se estender por um ano
De acordo com juristas consultados, o processo de extradição de Carla Zambelli poderá durar até um ano, mesmo com a ordem expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.
Após a prisão, a Justiça italiana tem 48 horas para deliberar sobre a manutenção da custódia. Se confirmada, o caso será enviado ao Ministério da Justiça da Itália, que dispõe de até 10 dias para decidir se dará continuidade ao pedido de extradição.
Se o governo decidir seguir com o processo, o caso será julgado pela Corte de Apelação de Roma, com atuação direta do procurador-geral da Itália. A tramitação pode levar ao menos seis meses, podendo se prolongar conforme estratégias de defesa e recursos judiciais.
Etapas da extradição de Carla Zambelli
| Etapa | Prazos estimados | Responsável |
|---|---|---|
| Decisão sobre custódia | Até 48 horas | Justiça italiana |
| Parecer sobre continuidade | Até 10 dias | Ministério da Justiça da Itália |
| Julgamento do mérito | De 6 meses a 1 ano | Corte de Apelação de Roma |
| Autorização final | Sem prazo legal fixado | Governo italiano |
Casos anteriores indicam trâmite lento
O caso de Carla Zambelli lembra o episódio envolvendo Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil, condenado no mensalão. Pizzolato foi preso na Itália em 2014, mas a extradição só foi autorizada em outubro de 2015, após longos trâmites judiciais e políticos.
Especialistas afirmam que, mesmo com a cooperação entre autoridades brasileiras e italianas, fatores como pedidos de asilo político, mobilização partidária e interferência diplomática podem influenciar o desfecho do caso de Zambelli.
Entenda as críticas de Sóstenes Cavalcante sobre a extradição de Carla Zambelli
Por que o PL tenta impedir a extradição de Zambelli?
O partido argumenta que Carla Zambelli sofre perseguição política e não teria garantias de um julgamento imparcial no Brasil.
Quem está articulando o pedido na Itália?
O deputado Coronel Meira (PL-PE) foi escalado para entregar pessoalmente o ofício à Procuradoria-Geral da Itália.
O argumento da perseguição política pode barrar a extradição?
Pode, mas depende do entendimento da Justiça italiana. O pedido será avaliado conforme os tratados internacionais e a legislação local.
Qual é o papel do governo italiano no processo?
Após análise judicial, o governo da Itália tem a decisão final sobre a extradição ou a concessão de asilo.
A defesa de Zambelli já pediu oficialmente o asilo político?
Até agora, não há confirmação oficial de que o pedido de asilo político tenha sido protocolado pelas vias formais.
PL aposta em estratégia internacional para blindar Zambelli
A movimentação de Sóstenes Cavalcante e do PL reflete a estratégia de internacionalizar o caso de Carla Zambelli, buscando apoio fora do Brasil para frear o cumprimento da sentença imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A tentativa de envolver a Procuradoria-Geral da Itália e alegar perseguição política pode tensionar as relações diplomáticas e abrir precedente para novos embates jurídicos internacionais envolvendo parlamentares brasileiros.

